"Provem uma corrupção minha e eu irei a pé para ser preso", diz Lula

Foto: NELSON ANTOINE / Estadão Conteúdo

Apontado pela força-tarefa da Operação Lava-Jato como o "grande general" do esquema de corrupção da Petrobrás, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez na tarde desta quinta-feira um forte pronunciamento de defesa, com momentos de lembranças, ataques e até choro. O discurso foi o pronunciamento público do ex-presidente depois da denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal no caso do triplex de Guarujá. 

– Eu conquistei o direito de andar de cabeça erguida neste país. Provem uma corrupção minha e eu irei a pé para ser preso – afirmou, emocionado o ex-presidente.

Recebido no hotel Novotel Jaraguá, no centro de São Paulo, aos gritos de "Lula, guerreiro, do povo brasileiro", o petista começou o discurso com uma provocação ao Ministério Público Federal. 

_ Não vou fazer show de pirotecnia, como fizeram ontem (quarta-feira) _ prometeu Lula, no início de sua fala. 

Ele reagiu às acusações dos procuradores, dizendo que não houve a apresentação de provas contra ele na denúncia. Ele ainda afirmou que, no país, tem pouca gente com a vida "mais pública, mais fiscalizada" do que a dele. 

– A profissão mais honesta é a do político. Porque por mais desonesto que seja a cada 4 anos ele precisa ir para as ruas pedir voto – afirmou.

O ex-presidente fez um balanço das conquistas dos 13 anos do PT à frente do Palácio do Planalto e destacou os esforços de seu governo e da gestão de Dilma Rousseff no combate à corrupção. 

– Tiramos o tapete da sala que escondia a corrupção nesse país – diz Lula.

Durante o discurso, Lula atacou adversários políticos como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o senador Aécio Neves (PSDB-MG), que concorreu contra Dilma nas eleições de 2014. Sem citar nominalmente de Aécio, ele criticou a falta de investigações sobre o caso do helicóptero apreendido pela Polícia Federal com 445 quilos de cocaína. O aparelho pertencia ao aliado do tucano, o ex-deputado estadual em Minas Gerais Gustavo Perrella.

Antes de o presidente começar o discurso, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, leu uma nota de repúdio contra a denúncia.

– Embevecido pela própria retórica, procurador protagonizou grotesco espetáculo midiático – afirmou o líder.

*Zero Hora

Diário Catarinense 

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