"Temer terá que se ajoelhar para Eduardo Cunha", diz Dilma

Dilma acredita ser possível reverter o placar no Senado e retornar à Presidência (EVARISTO SA / AFP)

A presidente afastada Dilma Rousseff afirmou que o presidente interino terá que se ajoelhar a Eduardo Cunha para governar. Em entrevista concedida à jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, a petista disse ainda que, após a divulgação da gravação de conversas com os senadores os senadores Romero Jucá e Renan Calheiros e com o ex-presidente José Sarney, estão ficando cada vez mais claras "as causas reais" para seu pedido de impeachment.

Dilma afirmou ser possível reverter o placar no Senado e retornar à Presidência. Três semanas atrás, o governo obteve apenas 22 dos 27 votos necessários para barrar o processo de impeachment na Casa.

— Nós podemos reverter isso. Vários senadores, quando votaram pela admissibilidade (do processo de impeachment), disseram que não estavam declarando (posição) pelo mérito (das acusações, que ainda seriam analisadas). Então eu acredito. Sobretudo porque as razões do impeachment estão ficando cada vez mais claras.  E elas não têm nada a ver com seis decretos ou com Plano Safra (medidas consideradas crimes de responsabilidade). Fernando Henrique Cardoso assinou 30 decretos similares aos meus. O Lula, quatro. Quando o TCU disse que não se podia fazer mais (decretos), nós não fizemos mais — afirmou. 

Dilma disse ter lido os diálogos gravados pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado com os senadores Romero Jucá e Renan Calheiros e com o ex-presidente José Sarney, e que isso mostra que a causa real para o impeachment era a tentativa de obstrução da Operação Lava-Jato por parte "de quem achava que, sem mudar o governo, a 'sangria' continuaria". 

— Aqueles que quiseram o impeachment tinham esse objetivo. Não sou eu que digo. Eles próprios dizem — afirmou.

Dilma não negou que a crise econômica tenha impactado na popularidade do governo, mas disse que enfrentou uma combinação "da crise econômica com uma ação política deletéria". 

— Todas as tentativas que fizemos de enviar reformas para o Congresso foram obstaculizadas, tanto pela oposição quanto por uma parte do centro político, este liderado pelo senhor Eduardo Cunha. Pior: propuseram as "pautas-bomba", com gastos de R$ 160 bilhões. O que estava por trás disso? A criação de um ambiente de impasse, propício ao impeachment — disse.

Dilma fez duras críticas a Michel Temer e garantiu que "jamais deixaria que ele indicasse o ministro da Justiça".

—Jamais eu deixaria que ele indicasse todos os cargos jurídicos e assessores da subchefia da Casa Civil, por onde passam todos os decretos e leis — completou, afirmando que Eduardo Cunha é a "pessoa central" do governo Temer. 
— Vão ter de se ajoelhar.

Dilma negou que tenha sofrido pressão para  interferir na Operação Lava-Jato ou para demitir o então ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e que não indicou o ministro Marcelo Navarro para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) para ajudar a soltar empreiteiros presos.

— É absurda a questão do Navarro. Eu não tenho nenhum ato de corrupção na minha vida — disse. 

A presidente afastada negou ainda que tenha pedido dinheiro a Marcelo Odebrecht na campanha em 2014, o que teria resultado em pagamentos ao marqueteiro João Santana por meio de caixa dois.

— Eu não recebi nunca o Marcelo no (Palácio da) Alvorada. No Planalto, eu não me lembro. Recordo que encontrei o Marcelo Odebrecht no México, o maior investimento privado do país é da Odebrecht com um sócio de lá. Conversamos a respeito do negócio, ele queria que déssemos um apoio maior. Uma conversa absolutamente padrão do Marcelo — disse.

Diário Catarinense 

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