Aécio teria recebido pagamentos de Furnas, diz Delcídio

Aécio teria recebido pagamentos de Furnas, diz Delcídio

Aécio Neves nos protestos do último domingo (Foto: Douglas Magno / AFP)

Aécio Neves teria recebido valores ilícitos da empresa de energia Furnas, vinculada ao Ministério de Minas e Energia, em um esquema operado pelo então diretor de energia Dimas Toledo, de acordo com a delação de Delcídio Amaral na Operação Lava-Jato. O ex-governador de Minas Gerais também foi citado no depoimento a respeito da CPMI dos Correios, na qual, segundo Delcídio, houve maquiagem de dados fiscais do Banco Rural.

Além de homologar a delação premiada Delcídio Amaral na Operação Lava-Jato, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki retirou o sigilo do processo na manhã desta terça-feira. As informações são do documento que transcreve o depoimento do senador prestado à Procuradoria.

Delcídio afirmou que Dimas Toledo possuía um "vínculo muito forte" com Aécio Neves e que Lula teria dito que, depois de assumir a presidência, Janene e Aécio "pediram por" Dimas, além do PT, que "era contra" e havia "ficado a favor": "pelo jeito está roubando muito", teria declarado. Na CPMI dos Correios, a Lista de Furnas continha doações da empresa a políticos. Delcídio relatou que, por mais que o documento pudesse ser falso (constava como se fosse assinado por Dimas e Delcídio não acredita que ele faria isso), realmente existiu o repasse, e Aécio "sem dúvida" teria sido um dos beneficiados, assim como o PP, através de José Janene. Conforme Delcídio, o PT também teria recebido pagamentos, mas ele não sabia quem os recebia e de que forma.

Ainda na CPMI dos Correios, da qual Delcídio foi presidente, foi solicitada a quebra de sigilo fiscal do Banco Rural, o que, conforme o delator, teria gerado incômodo no PSDB, inclusive por parte de Aécio Neves, que teria enviado "emissários" para que o prazo fosse adiado, com a justificativa de não haver tempo hábil para obter os dados. Quando as informações foram passadas, Delcídio conta que elas estavam maquiadas — o que consistiu em "apagar dados bancários comprometedores que envolviam Aécio Neves, Clesio Andrade, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Marco Valério e companhia". O relatório final da CPMI foi feito com base nessa manipulação, afirmou o delator.

Por fim, Delcídio declarou que ouviu do deputado José Janene que "Aécio Neves era beneficiário de uma fundação sediada em um paraíso fiscal, da qual ele seria dono ou controlador de fato", localizada em Liechtenstein, pequeno país europeu próximo da Suíça, que estaria no nome da mãe ou do próprio Aécio. A operação financeira teria sido estruturada por um doleiro do Rio de Janeiro.

Em nota divulgada em sua página no Facebook, o senador Aécio Neves afirma que as acusações de Delcídio "são citações mentirosas que não se sustentam na realidade e se referem apenas a 'ouvir dizer' de terceiros".

No texto, Aécio rechaça qualquer vínculo com irregularidades em Furnas, alegando que Delcídio "repete o que vem sendo amplamente disseminado há anos pelo PT que tenta criar falsas acusações envolvendo nomes da oposição". "É curioso observar a contradição na fala do delator já que ao mesmo tempo em que ele diz que a lista de Furnas é falsa, ele afirma que houve recursos destinados a políticos", diz o tucano.

Em relação à atuação na CPI dos Correios, Aécio afirma que "jamais tratou com o delator Delcídio de nenhum assunto referente" à comissão, e também "nunca manteve qualquer relação com o Banco Rural, teve conta corrente na instituição ou solicitou empréstimos".

Sobre a citação da fundação em nome de sua mãe, Aécio afirma que "trata-se de assunto requentado já amplamente divulgado nas redes petistas na internet e, inclusive, já investigado e arquivado pela Justiça e pelo Ministério Público Federal há vários anos". "O assunto em questão foi devidamente analisado e arquivado, há mais de cinco anos, em 2010, após a Justiça Federal e o MPF do Rio de Janeiro constatarem a inexistência de qualquer irregularidade. Não houve sequer abertura de ação penal", afirma.

Leia a íntegra da nota do senador Aécio Neves:

RESPOSTA À DELAÇÃO DO SENADOR DELCÍDIO DO AMARAL

O senador Delcídio do Amaral citou o nome do senador Aécio Neves em três circunstâncias, todas elas falsas:

São citações mentirosas que não se sustentam na realidade e se referem apenas a “ouvir dizer” de terceiros.

1 – Delcídio do Amaral se refere a uma fundação que a mãe do senador planejou criar no exterior. Trata-se de assunto requentado já amplamente divulgado nas redes petistas na internet e, inclusive, já investigado e arquivado pela Justiça e pelo Ministério Público Federal há vários anos.

O assunto em questão foi devidamente analisado e arquivado, há mais de cinco anos, em 2010, após a Justiça Federal e o MPF do Rio de Janeiro constatarem a inexistência de qualquer irregularidade. Não houve sequer abertura de ação penal.

Ano passado, membros do PT reuniram material divulgado na internet e voltaram a apresentar a mesma falsa denúncia à Procuradoria Geral da República. Após o fornecimento das informações, o assunto foi novamente arquivado. Desta vez pela PGR, mais uma vez constada a inexistência de qualquer irregularidade.

Em 2001, a mãe do senador Aécio Neves cogitou vender alguns imóveis e aplicar os recursos no exterior. No entanto, o projeto foi suspenso em função da doença do marido dela e a fundação não chegou a ser implementada de fato.

Para o projeto, ela buscou a assessoria de um profissional que havia sido durante anos representante oficial de instituição financeira internacional, legalmente constituída no Brasil, sr. Norbert Muller. À época do contato, não existia qualquer razão para se duvidar da idoneidade profissional do representante.

Durante os seis anos em que o projeto ficou em suspenso (período entre assinatura dos primeiros documentos e o cancelamento definitivo do projeto, em 2007, em função do agravamento do estado de saúde de seu marido), a responsável fez dois pagamentos, em moeda nacional, e no Brasil, ao sr. Muller, referentes a despesas cobradas por ele. Esses valores corresponderam a uma média anual de cerca de 5 mil dólares.

Esses valores foram transferidos pelo representante para uma conta e corresponderam à totalidade dos depósitos realizados que foram integralmente consumidos em pagamentos de taxas e honorários. A conta nunca foi movimentada.

A criação da fundação foi devidamente declarada no Imposto de Renda da titular.

2 - Sobre a menção ao nome do senador Aécio com relação a Furnas, Delcídio repete o que vem sendo amplamente disseminado há anos pelo PT que tenta criar falsas acusações envolvendo nomes da oposição.

É curioso observar a contradição na fala do delator já que ao mesmo tempo em que ele diz que a lista de Furnas é falsa, ele afirma que houve recursos destinados a políticos.

3 – O delator relaciona o nome do senador Aécio ao Banco Rural no contexto da CPMI dos Correios. O senador jamais tratou com o delator Delcídio de nenhum assunto referente à CPMI dos Correios. Também jamais pediu a ninguém que o fizesse.

Nunca manteve qualquer relação com o Banco Rural, teve conta corrente na instituição ou solicitou empréstimos.

É fácil demonstrar que o PSDB não atuou na CPMI dos Correios com o objetivo de proteger ninguém. Pelo contrário, pode ser comprovado o posicionamento do PSDB na CPMI em favor do aprofundamento das investigações de todas as denúncias feitas durante os trabalhos da Comissão, incluindo aquelas relacionadas a nomes de integrantes do partido.

Por fim, e ainda sobre esse assunto, é fácil demonstrar que Delcídio do Amaral não está falando a verdade. Ele diz que foi a Minas tratar com o então governador Aécio de assunto referente à CPMI. É mentira. O relatório final da CPMI data de abril de 2006 e a viagem de Delcídio a Minas ocorreu dois meses depois, no dia 7 de junho de 2006. O que demonstra que ele não poderia ter tratado de assunto da CPMI já encerrada. Na verdade, o encontro ocorrido foi a pedido dele para tratar do apoio partidário a seu nome nas eleições estaduais, em 2006, quando ele pretendia ser candidato no Mato Grosso do Sul.

Diário Catarinense

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