Agência diz que recebeu R$ 6 mi ilegalmente da campanha de Dilma

Agência diz que recebeu R$ 6 mi ilegalmente da campanha de Dilma

Foto: ANDRÉ DUSEK / Estadão Conteúdo

A publicitária Danielle Fonteles, dona da agência de comunicação Pepper Interativa, confirmou em acordo de delação premiada que recebeu R$ 6,1 milhões de forma ilegal referentes a serviços prestados à campanha de Dilma Rousseff (PT) em 2010. 

O acordo, negociado com a Procuradoria-Geral da República (PGR), terá ainda de ser homologado pelo ministro Herman Benjamin, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A empresária vinha resistindo, mas decidiu falar com o avanço das investigações da Operação Acrônimo e a citação de sua empresa em inquérito da Lava-Jato.

A Pepper era responsável pela propaganda de Dilma na internet em 2010. Conforme delatores da Lava-Jato, a Andrade Gutierrez pagou R$ 6,5 milhões à agência, dinheiro que teria servido para bancar serviços prestados à coligação da então candidata.

A versão corrobora pela primeira vez de maneira oficial o teor do depoimento de Otávio Azevedo, ex-presidente da empreiteira, que contou, também em delação, ter pago à Pepper essa quantia a pedido da campanha de Dilma. A presidente tem negado qualquer ilegalidade.

O jornal O Estado de S.Paulo apurou que a colaboração envolve também detalhes sobre o relacionamento da Pepper com Pimentel, a mulher dele, Carolina Oliveira, e o empresário Benedito Rodrigues, o Bené, apontado como operador do petista em esquemas ilícitos. A primeira dama de Minas é suspeita de ser sócia oculta da agência. O governador é investigado por, supostamente, receber vantagens indevidas de empresas que tinham relacionamento comercial com o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), instituição subordinada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que ele comandou de 2011 a 2014.

A Acrônimo também apura o uso irregular de recursos em campanhas do PT. A Pepper prestou serviços a Pimentel quando ele se candidatou ao Senado, em 2010. Em 2014, na corrida para o Palácio da Liberdade, a empresa não foi fornecedora de Pimentel. Porém, trabalhou para o partido nacional na criação da agência de notícias do partido e na gestão da página da presidente Dilma no Facebook. Além disso, foi contratada pelo então candidato Rui Costa (PT), que venceu as eleições na Bahia.

Procurada pelo jornal Estadão, a defesa de Daniele não quis comentar.

Diário Catarinense 

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