BB anuncia apoio ao setor automotivo com desembolso de R$ 3,1 bi até o fim do ano

Mas injeção de recursos pode chegar a R$ 9 bi, se programa for estendido a outros segmentos

BB anuncia apoio ao setor automotivo com desembolso de R$ 3,1 bi até o fim do ano

Fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo - Marcos Issa / Bloomberg News

O Banco do Brasil anunciou nesta quarta-feira acordos com entidades representativas do setor automotivo para apoio a fornecedores do setor, com desembolso de R$ 3,1 bilhões até o fim de 2015. O apoio do banco poderá se estender a "uma ampla gama de setores produtivos", o que poderá levar a “desembolsos da ordem de R$ 9 bilhões”, informou a instituição em comunicado à imprensa.

O maior banco por ativos do país afirmou ainda que a ideia é ajudar montadoras e produtores de peças automotivas a pagar dívidas com credores. O setor vive grave crise nas vendas, com anúncio de demissões e suspensão na produção, o que levou o governo a recorrer aos bancos públicos para tentar salvar o segmento. Nesta terça-feira foi a vez de a Caixa Econômica Federal anunciar condições especiais nas linhas de crédito e de capital de giro para o segmento.

Os dois anúncios estão entre os motivos para as ações do setor bancário registrarem queda significativa nesta quarta-feira. Para analistas, voltaram as preocupações sobre o uso de bancos públicos para estimular a economia. As medidas afetam principalmente BB e Caixa, diante da percepção de ingerência política, mas acaba tendo efeito sobre os bancos privados, que podem se ver pressionados pelos rivais estatais.

As condições diferenciadas oferecidas pela Caixa poderão ser usadas por todas as empresas, mas o banco promete taxas menores para os empresários que se comprometerem a não demitir. O objetivo é emprestar o equivalente a R$ 5 bilhões até o fim do ano.

As linhas de financiamento terão recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e do BNDES. Para quem assumir o compromisso de manter o quadro de trabalhadores atual, as taxas de juros para capital de giro e investimento serão de 0,83% ao ano com prazo de 60 meses e carência de até seis meses para início do pagamento das prestações.

Outra linha de crédito, com taxa de juros de 1,41% ao ano, será destinada a antecipações de contratos firmados entre fornecedores e a montadora ou sistemista. A garantia utilizada será o próprio contrato já firmado e o fornecedor poderá antecipar recursos para auxiliar na gestão do fluxo financeiro. Os prazos, conforme a Caixa, vão variar de acordo com o contrato.

A Caixa irá fornecer ainda uma linha de crédito do Programa Pró-Transporte para renovação de frota, com taxas de juros máximas correspondentes à Taxa Referencial (TR) mais 9% ao ano e até 96 meses para pagar, a depender do projeto a ser financiado. O convênio prevê ainda o financiamento de máquinas e equipamentos novos e usados com taxas de 1,5% ao mês + TR. A carência é de seis meses e os prazos vão até 60 meses.

As linhas pretendem ajudar as empresas a cumprirem os compromissos de fim de ano, como, por exemplo, o pagamento do 13º salário. A Caixa, contudo, não tem o poder de obrigar as empresas a manterem os funcionários, nem como fiscalizar as firmas em relação à folha de empregados.

O Globo 

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