Camargo Corrêa vende Alpargatas por R$ 2,7 bilhões à dona da JBS

Camargo Corrêa vende Alpargatas por R$ 2,7 bilhões à dona da JBS

A loja da Havaianas no bairro dos Jardins, em São Paulo (Foto: Fernando Donasci/Folhapress)

A Alpargatas, que produz os chinelos Havaianas, deve ser vendida pela sua controladora Camargo Corrêa por R$ 2,67 bilhões à J&F Investimentos, dona da companhia de alimentos JBS. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (23) pela empresa.

O valor representa preço por ação de R$ 12,85, segundo o comunicado, ante preço de fechamento de R$ 9,73 da ação da Alpargatas na quinta-feira. O preço será pago à vista na data do fechamento da operação, informou a Alpargatas.

A operação ainda precisa ser aprovada pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

No comunicado enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), a J&F afirma que o objetivo da aquisição da Alpargatas é diversificar o portfólio de negócios da empresa.

A J&F informou ainda que não pretende fechar o capital da Alpargatas pelo prazo de um ano —ou seja, a empresa continuará tendo parte de suas ações negociadas na Bolsa.

No início do mês, a Alpargatas (3) havia anunciado a venda de suas marcas Topper e Rainha por R$ 48,7 milhões para o Sforza, grupo de investidores liderado pelo empresário Carlos Wizard Martins.

Wizard é conhecido por ter fundado a rede de idiomas de mesmo nome em 1987 e vendido a companhia, que incluía bandeiras como Yázigi e Skill, para a britânica Pearson em 2013 por R$ 2 bilhões.

Com faturamento previsto em R$ 27,6 bilhões neste ano, a Camargo Corrêa é uma das principais empresas atingidas pela Operação Lava-Jato, e a única das grandes empreiteiras a admitir participação nos esquemas de cartel e propina na Petrobras e no setor elétrico.

Além da venda da Alpargatas, a empresa também busca no mercado um sócio para a Intercement, cimenteira que é o principal negócio do grupo.

Em entrevista publicada pelo jornal Folha de S. Paulo na última quarta-feira, o presidente da Camargo Corrêa, Vitor Hallack, afirmou que a dívida líquida gerencial da empresa é de R$ 24 bilhões, e a de curto prazo, de R$ 2 bilhões.

Ao falar da dívida, ele destacou os R$ 9 bilhões gastos anteriormente na compra da cimenteira portuguesa Cimpor.

"Isso aumentou o endividamento, que esperávamos equacionar com desinvestimento [venda de ativos], dívida e a geração de caixa dos próprios negócios. Mas, com a retração econômica, nossas previsões não se confirmaram e a isso se somou o aumento dos juros (...) Como somos um grupo financeiramente conservador, podemos lidar com o endividamento vendendo ativos ou alongando dívidas", afirmou.

Folha de S. Paulo 

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