Cardozo diz que PF investigará FHC se houver indícios de crime

Cardozo diz que PF investigará FHC se houver indícios de crime

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e a jornalista Mirian Dutra (Foto:Bruno Santos/Folhapress)

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou, nesta sexta-feira (19), que a área técnica do ministério, que inclui servidores da Polícia Federal, está "fazendo um estudo preliminar" sobre a denúncia contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de ele ter enviado dinheiro para o exterior através da empresa Brasif S.A. Exportação e Importação.

Segundo ele, essa é uma prática comum no ministério sempre que denúncias são publicadas pela imprensa em geral.

"Tudo o que sai na imprensa nós automaticamente avaliamos se há indício ou não para abertura de inquérito", disse.

Caso haja indícios de crime, disse, a Polícia Federal irá investigar, ressaltando que este é um procedimento padrão.

Reportagem publicada pela Folha, nesta quinta-feira (18), revela que a jornalista Mirian Dutra, com quem FHC manteve um relacionamento nos anos 1980 e 1990, firmou contrato fictício com a Brasif para receber dinheiro no exterior do ex-presidente. O objetivo, segundo ela, era pagar despesas do filho Tomás Dutra Schmidt.

A transferência foi feita, segundo Mirian, por meio da assinatura de um contrato fictício de trabalho, celebrado em dezembro de 2002 e com validade até dezembro de 2006.

FHC afirmou por meio de nota, nesta quinta, não ter condições de se manifestar sobre a acusação.

Questionado se enxergava indícios de crime no caso específico noticiado pela Folha, não quis fazer juízo de valor.

"É o que estamos estudando. Estou aguardando a conclusão do parecer. É um estudo preliminar para ver se vai se abrir uma investigação federal."

As declarações foram dadas durante uma visita a uma escola pública no Leblon, zona sul do Rio, em uma ação de conscientização para o combate do mosquito da dengue.

POLÍCIA FEDERAL

O ministro da Justiça negou que a Polícia Federal esteja, neste momento, investigando o ex-presidente. Ele reiterou que a investigação só poderia ser aberta se nesse estudo preliminar houvesse indícios de crimes de âmbito federal.

"Obviamente se faz a análise pelos órgãos técnicos e garanto a vocês que havendo questões a serem investigadas em âmbito federal, por óbvio serão investigadas. Se não houver, não se investiga", disse.

Cardozo disse que a PF também fará uma apuração prévia caso alguma representação contra o ex-presidente seja apresentada por um civil, como um parlamentar, por exemplo, na PF.

Ele reforçou que o procedimento é padrão e não tem ligação com o fato de o ex-presidente ser de oposição ao atual governo.

"Não podemos prejulgar nada. Não podemos condenar ninguém antecipadamente. Mas se há fatos a serem investigados, que se investigue (...) Qualquer pessoa que eventualmente pratique ou existe indícios de que possa ter praticado ilícitos a PF apura."

Em outro evento, ainda nesta manhã, Cardozo visitou o centro de comando instalado na HSBC Arena e verificou as medidas de segurança adotadas para a entrada de pessoas no Parque Aquático Maria Lenk, ambos na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, durante a Olimpíada a partir de 5 de agosto.

Folha de S. Paulo 

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