Cresce participação de alunos da rede pública no Enem

Cresce participação de alunos da rede pública no Enem

Foto: André Ávila / Agência RBS

A participação de alunos do 3º ano do Ensino Médio de escolas públicas no Exame Nacional do Ensino Médio ( Enem) bateu recorde neste ano, mas as redes oficiais ainda têm dificuldades de incentivar os estudantes a participar da prova. Apesar do aumento de inscrições, um a cada três alunos concluintes das redes públicas nem sequer se inscreveu no exame neste ano. O Enem começa hoje e 7,7 milhões de inscritos são esperados para as provas, que continuam amanhã.

O Enem se consolidou como a maior porta de entrada para as universidades públicas. Usado como vestibular pelas federais, onde há a reserva de vagas para alunos de escolas públicas por causa da Lei de Cotas, de 2012, o exame ainda é critério para acesso às bolsas do Programa Universidade Para Todos (ProUni) e o Financiamento Estudantil (Fies), em faculdades privadas.

Dos quase 1,9 milhão de alunos que em 2015 cursam o 3º ano do Ensino Médio público no país, 29% (cerca 560 mil) não se inscreveram. Esse porcentual era ainda maior em 2013, quando 39% não se inscreveram. Na rede particular, a situação é oposta: apenas 5% dos 305 mil alunos desta etapa abriram mão do Enem em 2015.

Além dos inscritos concluintes - que somam 1,6 milhão de alunos - a grande maioria dos participantes do Enem é de quem já saiu da escola. São 4,49 milhões. Ainda são esperados outros 1,1 milhão de alunos que farão como treino, por ainda não terem chegado ao 3.º ano.

O professor da Zacarias Gamas, da Universidade do Estado do Rio Janeiro (UERJ), afirma que o porcentual de alunos da rede pública que não fará o exame é muito alto.

— São alunos que estão sendo excluídos no principal instrumento de seleção — diz. — Essa situação (de exclusão) teve melhora com a Lei de Cotas, que trouxe grande ganho para a universidade por causa do perfil de alunos, mas, talvez, os governos precisem pensar em iniciativas.

Incentivo
O ministro da Educação Aloizio Mercadante disse que as redes estaduais - que concentram mais de 95% das matrículas do Ensino Médio - precisam estimular seus alunos.

— A participação vem crescendo porque é o caminho das oportunidades. O estudante pode estar em uma das federais. Se não entrou, tem o Prouni, o Fies — diz. Este ano, 906 mil ingressaram no Ensino Superior por esses mecanismos, ressaltou o ministro.

Algumas redes já têm projetos de incentivo. ê o caso do Espírito Santo, que, desde 2009, quando o Enem virou vestibular, colocou como obrigatório a inscrição dos concluintes. A estudante Lia Pupin, de 18 anos, de uma escola de tempo integral em Vitória, conta que todos seus colegas farão as provas. "Rola até uma competição, e os professores são os maiores parceiros", diz ela, que quer uma vaga em Arquitetura.

— O estigma da má qualidade da escola pública impacta no interesse do aluno. E se tem um problema que nos preocupa é a falta de sonhos da juventude — diz o secretário estadual de Educação do Espírito Santo, Haroldo Rocha, que criou a regra. Ele ainda ressalta o trabalho das escolas na preparação dos alunos.

A rede do Ceará trabalha desde janeiro com a mobilização dos alunos. Nos dias da prova, há transporte, alimentação e hospedagem para quem precisa se deslocar para municípios de difícil acesso. Como apoio pedagógico, a rede realiza, por exemplo, uma série de palestras pelo Estado. Das 621 escolas estaduais do Ceará, apenas 6% tiveram menos de 50% de seus alunos sem nota no último Enem.

—Toda a equipe deposita alta confiança no aluno, o que faz com que eles se sintam capazes — ressalta Silvandira Mesquita, de 39 anos, diretora da Escola Adriano Nobre, no município cearense de Itapajé.

Fora
No ano passado, só 24% das 8,1 mil escolas do País conseguiram ter mais de 50% dos alunos com nota no Enem. Para Eduardo Deschamps, do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), um dos motivos é o formato do Ensino Médio.

— O currículo deveria preparar o aluno para a universidade, mas acaba desestimulando. Há excesso de fragmentação.

Diário Catarinense 

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