Dilma diz que PSDB é "base" do pedido de impeachment aceito por Cunha

A presidente Dilma Rousseff (PT) afirmou nesta sexta-feira (11) que o PSDB, principal partido de oposição, seria a "base" do pedido de impeachment aceito pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

"Aliás, a base do pedido [de impeachment] e das propostas do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, é o PSDB, sempre foi", afirmou Dilma ao responder a perguntas de jornalistas.

"Ou alguém aqui desconhece esse fato? Porque, senão, fica uma coisa um pouco hipócrita da nossa parte: nós fingimos que não sabemos disso", disse a presidente.

A presidente fez a afirmação ao responder a pergunta sobre a reunião do PSDB, na noite da quinta-feira (10), que confirmou oficialmente a defesa do impeachment pelo partido. "Não é nenhuma novidade. Não é possível que os jornalistas tenham ficado surpreendidos", disse. 

Na semana passada, o presidente da Câmara acatou pedido de impeachment, apresentado por juristas com o apoio da oposição, e determinou a abertura do processo contra a presidente.

A possibilidade de o vice-presidente Michel Temer (PMDB) assumir deu força à ala oposicionista do PMDB e precipitou declarações de apoio de líderes tucanos a um possível governo Temer.

O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) afirmou que o partido "está pronto" para discutir apoio a um eventual governo do PMDB. Também senador, José Serra (PSDB-SP) disse que fará "o possível para ajudar" o novo governo caso o impedimento de Dilma seja confirmado.

A presidente participou nesta manhã da entrega do Prêmio Direitos Humanos, no Palácio do Planalto. O prêmio é oferecido pela Secretaria de Direitos Humanos, do governo federal.

Esta semana, Cunha aceitou a proposta da oposição e da ala do PMDB favorável ao impeachment para o lançamento de uma chapa dissidente na eleição da comissão especial da Câmara que vai analisar o afastamento da presidente.

A chapa da oposição, integrada por peemedebistas que defendem o impedimento de Dilma, foi vitoriosa por 272 votos a 199, em eleição realizada na terça-feira (19).

A dissidência no PMDB levou à destituição do líder do partido na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), que indicou para a comissão do impeachment deputados aliados ao governo.

A queda de Picciani, que se tornou importante interlocutor do governo Dilma, levou a especulações de bastidores de que o Planalto agiria para reverter a destituição do líder.

Nesta sexta-feira, Dilma negou a intenção do governo de tentar interferir no partido. "O governo não tem o menor interesse em interferir nem no PT, nem no PMDB, nem no PR. Agora, o governo lutará contra o impeachment. São coisas completamente distintas", disse.

UOL

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