Em depoimento à PF, Lula admite amizade com Bumlai e critica Lava-Jato

Em depoimento à PF, Lula admite amizade com Bumlai e critica Lava-Jato

Foto: Heinrich Aikawa/Instituto Lula / Divulgação

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em depoimento à Polícia Federal, que a investigação de integrantes do seu governo na Operação Lava-Jato faz parte de um “processo de criminalização contra o PT”. Lula também admitiu relação de amizade com o pecuarista José Carlos Bumlai, um dos presos. O depoimento teria ocorrido na quarta-feira. As informações são do Jornal Folha de S. Paulo.

Lula foi ouvido pela PF na condição de informante e não como testemunha no inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga o esquema de corrupção na Petrobras. De acordo com a Folha, ele defendeu o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, acusado de operar propinas para o partido, e disse que o ex-ministro José Dirceu, preso no "mensalão" e no "petrolão" era o responsável por discussões de indicações políticas do seu governo.

Ainda segundo o jornal, Lula disse que três fatores condicionam as investigações contra os ex-integrantes do seu governo: processo de transparência e aprimoramento dos órgãos de fiscalização e controle durante os governos do PT; imprensa livre; e um "processo de criminalização" do partido. O ex-presidente afirmou que "não existe até o momento qualquer conclusão final deste apuratório".

Conforme a publicação, Lula declarou que não tinha conhecimento do esquema de corrupção na Petrobras, que isso não fora identificado pelos órgãos de controle e que não acredita que políticos de partidos aliados tenham recebido propina da estatal.

Sobre sua relação de amizade com Bumlai, Lula contou, segundo o jornal, que o conheceu em 2002 durante a gravação de um programa eleitoral na fazenda do pecuarista e que o indicou para integrar o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do governo. O ex-presidente admitiu que seus filhos e noras possam ter relação com Bumlai, mas disse que nenhum deles pediu valores a ele.

O petista reforçou sua relação de amizade com Vaccari e disse que o mesmo tinha uma “excelente” atuação como tesoureiro do PT. “Que todos os membros da direção do partido, inclusive seu presidente, Rui Falcão, declararam a qualidade desempenhada por Vaccari no comando da tesouraria do PT. Que não crê na afirmação de Paulo Roberto de que 2% do valor dos contratos celebrados na Diretoria de Abastecimento da Petrobras”, diz um trecho do depoimento de nove páginas.

De acordo com a Folha, Lula também declarou que não acredita que Ricardo Pessoa, dono da UTC, tenha pago propina a Vaccari e que o ex-tesoureiro da sua campanha, José de Fellipe Júnior, tenha pedido doação não oficial de R$ 2,4 milhões.

O ex-presidente afirmou ainda, segundo a publicação, que não participava do processo de nomeações de dirigentes da Petrobras, cuja tarefa era delegada ao ex-ministro José Dirceu. Lula também negou que tenha avalizado a indicação de Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras, condenado no esquema de corrupção, e negou conhecer Pedro Barusco. Nestor Cerveró e seu antecessor na área internacional Jorge Zelada eram indicações feitas pelo PMDB, garantiu Lula no depoimento, segundo a Folha.

*Zero Hora

Diário Catarinense  

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