Ex-executivos da Mendes Júnior são condenados na Lava-Jato

Ex-vice-presidente da empresa pegou 19 anos de prisão.

 Ex-executivos da Mendes Júnior são condenados na Lava-Jato

Foto: Ailton de Freitas / Agência O Globo/Arquivo

O ex-vice-presidente da Mendes Júnior e herdeiro do clã, Sérgio Cunha Mendes, e outros dois ex-executivos da empreiteira foram condenados na manhã desta terça-feira pelo juiz Sérgio Moro em ação da Operação Lava-Jato.

Mendes, que deixou a cúpula da empresa após ser preso no ano passado, foi condenado a 19 anos e quatro meses de prisão pelos crimes de corrupção ativa, lavagem de dinheiro e associação criminosa. De acordo com a sentença, a prática do crime de corrupção pelo executivo envolveu o pagamento de R$ 31,5 milhões a integrantes do esquema ligados à Diretoria de Abastecimento da Petrobras, entre eles o ex-diretor Paulo Roberto Costa .

O ex-diretor de óleo e gás da empresa Rogério Cunha Pereira foi condenado a 17 anos e quatro meses. Também ex-diretor de óleo e gás, Alberto Elísio Vilaça Gomes recebeu sentença de dez anos de prisão. Ainda é possível recorrer da sentença em instâncias superiores. Também foi condenado o operador Enivaldo Quadrado, que já havia sido condenado no mensalão. Quadrado pegou sete anos e seis meses de prisão por lavagem de dinheiro.

O juiz Sérgio Moro absolveu outros dois executivos da construtora: Ângelo Alves Mendes, ex-diretor-vice-presidente, e o engenheiro José Humberto Cruvinel Resende.

EX-DOLEIRO TEM PENA SUSPENSA

O doleiro Alberto Youssef foi condenado mais uma vez, mas teve a pena suspensa por Moro. Youssef foi condenado a 20 anos e quatro meses de reclusão. Paulo Roberto Costa recebeu dez anos de reclusão, mas por conta do acordo de delação cumprirá no máximo três anos de reclusão em regime aberto. Atualmente, Costa já cumpre pena em sua casa na região serrana do Rio.

No final da sentença, Moro recomendou à construtora Mendes Júnior a buscar o Ministério Público Federal, CADE, Petrobras e Controladoria Geral da União (CGU) para acertar a situação dela. O juiz ressaltou que a empresa em si não estava sendo julgada.

 “A Mendes Júnior, por sua dimensão, tem uma responsabilidade política e social relevante e não pode fugir a elas, sendo necessário, como primeiro passo para superar o esquema criminoso e recuperar a sua reputação, assumir a responsabilidade por suas faltas pretéritas. É pior para a reputação da empresa tentar encobrir a sua responsabilidade do que assumí-la”, .

Moro citou o recente caso da montadora alemã Volkswagen, que admitiu publicamente adulterações nos resultados de medições de poluentes de seus carros.

“Com as devidas adaptações, o recente exemplo da reação pública da automotora Volkswagen é ilustrativo do comportamento apropriado de uma grande empresa quando surpreendida na prática de malfeitos, diga-se de passagem aparentemente menores dos que os apurados no presente feito”.

O Globo

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