Ex-senador Gim Argello é preso na 28ª fase da Operação Lava-Jato

Ex-senador Gim Argello é preso na 28ª fase da Operação Lava-Jato

Foto: DIDA SAMPAIO / ESTADÃO CONTEÚDO

A Polícia Federal (PF) prendeu, na manhã desta terça-feira, o ex-senador Gim Argello (PTB-DF), durante a 28ª fase da Operação Lava-Jato. Deflagrada na madrugada, a nova etapa da investigação ocorre nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal.

Batizada Vitória de Pirro, esta fase apura indícios de que o ex-senador atuou para evitar que empreiteiros fossem convocados para depor sobre irregularidades na Petrobras, em 2014, em uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada no Senado Federal e em uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no Congresso — ele integrava ambas. Para isso, segundo a investigação, Argello teria cobrado propinas de R$ 5,3 milhões.

Os pagamentos indevidos teriam sido travestidos de doações eleitorais oficiais em favor dos partidos de sua base de sustentação. A Lava-Jato apurou que as empreiteiras OAS e a UTC pagaram propinas de R$ 350 mil e R$ 5 milhões, respectivamente. As informações teriam sido obtidas a partir da delação premiada do empreiteiro Ricardo Pessoa, que é ex-presidente da UTC. 

Segundo a investigação, o ex-senador distribuía o dinheiro aos partidos do bloco, chamado União e Força, que era liderado por ele — mesmo grupo que atualmente é liderado pelo senador Fernando Collor. Os integrantes do bloco são do PTB, PR, PSC e PRTB. 

Em coletiva de imprensa realizada na manhã desta terça-feira, os investigadores afirmaram que não há indícios de que os partidos beneficiados sabiam das negociações e da origem ilícita dos recursos.

Ao todo, foram expedidos 22 mandados judiciais, sendo dois de prisão temporária, um de prisão preventiva, 14 de busca e apreensão e cinco de condução coercitiva. As medidas estão sendo cumpridas na capital de São Paulo, capital do Rio de Janeiro, Taguatinga e Brasília.

Os mandados de prisão temporária são contra dois ex-assessores de Argello: Valério Neves Campos, que foi ainda assessor da Família Roriz, e Paulo Cesar Roxo Ramos, que seria um operador do esquema.

Em 2014, Argello chegou a ser indicado para ocupar o cargo de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), mas acabou desistiu de disputar uma vaga após manifestações contrárias de servidores e ministros da Corte. Os presos serão encaminhados para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR) enquanto aqueles conduzidos para depoimentos serão ouvidos nas respectivas cidades onde forem localizados.

Diário Catarinense 

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