Explosão de apreensões de fuzis faz Rio pedir ajuda aos EUA

Com um fuzil apreendido por dia, em média, entre janeiro e agosto deste ano, o governo do Rio de Janeiro pediu ajuda aos Estados Unidos para rastrear essas armas.

Desde 2011, já são 1.285 fuzis retirados de circulação pela polícia. As 244 apreensões nos primeiros oito meses de 2015 representam um aumento de 38% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Uma relação de 5.000 armas estrangeiras apreendidas no Estado foi entregue ao DEA (agência americana de combate às drogas). Entre elas há 113 fuzis, 131 pistolas argentinas e 21 pistolas da Turquia.

Interessados na segurança do Rio por causa da Olimpíada de 2016, os americanos iniciaram a colaboração.

Agentes da ATF (agência americana de repressão a álcool, tabaco, armas de fogo e explosivos) informaram que o fuzil Barrett apreendido pelo Bope (Batalhão de Operações Especiais) em 11 de agosto veio de uma loja no Arizona.

Em 2006, um americano comprou a arma legalmente no condado de Maricopa. Suspeita-se que tenha pago algo em torno de R$ 50 mil. A arma estava com traficantes do Comando Vermelho na favela do Chapadão, zona norte do Rio.

Os fuzis têm sido encontradas também em áreas teoricamente sem conflito, como Ilha Grande, no sul do Estado.

"Acredito que os fuzis que estavam em áreas ocupadas pela polícia pacificadora foram para outras regiões. Além disso, essa arma continua entrando sim em áreas em conflito. Não há controle", afirma o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame.

Segundo ele, a polícia tem encontrado armas novas com traficantes, o que demonstraria que as quadrilhas continuam sendo abastecidas.

No último dia 3, um casal entrou por engano em uma favela em Niterói, na região metropolitana do Rio, e foi recebido a tiros de fuzil. A mulher, Regina Múrmura, 69, morreu.

"Não posso dizer que há um senhor das armas no Rio. Não acredito. A gente apreende um fuzil e duas pistolas. Sempre em pequenas quantidades", disse Beltrame, que defende penas mais pesadas para quem porta uma arma dessas. Atualmente, são três a seis anos de prisão.

"Essas células do crime no Rio utilizam o fuzil para se mostrar poderosos diante da comunidade e dos rivais", afirma Lucía Consoli, especialista em armas da ONU para a América Latina e Caribe.

O Ministério Público estadual também constatou o aumento na circulação de armas no Estado. Promotores contam que, em algumas regiões da capital, as quadrilhas acirraram os confrontos com as polícias. "Nunca se teve tanta notícia de armas", diz o promotor Luiz Ayres.

"Os traficantes querem mandar o recado de que mandam no território. É violência, intimidação e corrupção", conta o mexicano Antonio Mazzitelli, do escritório da ONU contra drogas e crimes.

Folha de S. Paulo 

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