Inflação brasileira sobe 10,67% em 2015, a maior taxa desde 2002

Inflação brasileira sobe 10,67% em 2015, a maior taxa desde 2002

Reprodução Internet

Os reajustes de monitorados que se concentraram no início de 2015 acabaram ditando o ritmo da inflação ao longo de todo ano. Com isso, diversos itens foram acelerando mês a mês. Em dezembro 160 itens encerraram com aumentos superiores a 10% em 12 meses, o equivalente a 42,9% de todos os 373 itens investigados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em janeiro do ano passado, essa quantidade era de 91 produtos ou serviços, segundo o órgão. 

— O número aumentou a cada mês, sugerindo contaminação de itens importantes por reajustes como em combustíveis, energia e gás de cozinha. São as contas, e isso vai bater na costureira, no cabeleireiro. Em alimentos, por exemplo, chegou-se ao fim do ano com uma alta generalizada, variações de 60% em alguns itens importantes — ressaltou Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE.

Em 2015, os alimentos ficaram 12,03% mais caros, a maior alta desde 2002, quando o avanço foi de 19,47%. Além da pressão com custos de taxa de água e esgoto e energia elétrica, houve ainda contribuição da valorização do dólar em relação ao real (que encareceu insumos aos produtores e incentivou exportações, reduzindo a oferta interna) e de problemas climáticos.

— Houve muita chuva no Sul do País. Muitas vezes, isso não diminui oferta do produto, mas afeta a qualidade — explicou Eulina. Com isso, a cebola ficou 60,61% mais cara, enquanto o alho subiu 53,66%. Também avançaram tomate (47,45%), batata-inglesa (34,18%), feijão-carioca (30,38%) e o pão francês (12,05%). Apesar da

Serviços

Apesar da alta do desemprego, da queda na renda dos brasileiros e da consequente redução na demanda, a inflação de Serviços não cedeu em 2015. A alta de 8,09% foi a menor desde 2010 (7,91%), mas ainda assim permaneceu na casa dos 8%, mostrando resistência neste patamar, de acordo com o IBGE.

— Os serviços não cederam em 2015, e essa resistência veio dos custos. O (salário do)empregado doméstico é indexado à inflação. A alimentação fora de casa tem pressão de gás, alimentos e mão de obra. A energia pressiona o preço de cabeleireiros — listou Eulina.

No ano passado, a alimentação fora de casa ficou 10,38% mais cara. Também subiram oaluguel residencial (7,83%) e o condomínio (9,72%). Esses itens foram afetados pelos aumentos em energia elétrica e taxa de água e esgoto, além de outros custos.

Os administrados, aliás, inverteram a tendência verificada nos últimos anos de ficar abaixo da inflação média. Enquanto o IPCA avançou 10,67% em 2015, os monitorados subiram 18,08%, superando o índice geral pela primeira vez desde 2009 (naquele ano, porém, a diferença foi de apenas 0,23 ponto porcentual).

A energia elétrica foi a grande vilã, com alta de 51%, mas outros itens pesaram no bolso das famílias, como taxa de água e esgoto (14,75%), gás de botijão (22,55%), ônibus urbano (15,09%) e gasolina (20,10%), entre outros. 

— Ficou mais caro se alimentar se transportar e morar — destacou Eulina, lembrando que todos esses fatores refletem nos preços dos serviços. 

Gasolina

Os preços da gasolina continuaram aumentando em dezembro, muito depois do reajuste de 6% do combustível nas refinarias, em vigor desde 30 de setembro.

— Existe a influência do etanol, que compõe 27% da mistura. E o etanol está aumentando muito. Em geral, o efeito de um reajuste não demora três meses, e nós temos observado aumentos em outubro, continuando em novembro e dezembro — explicou Eulina.

Apenas em dezembro, a gasolina ficou 1 26% mais cara. No saldo do último trimestre, o item subiu 9,79% - mais do que o reajuste nas distribuidoras. A alta de 26,18% no etanol no último trimestre ajuda a explicar a continuidade desse aumento. Apenas em dezembro, o preço desse combustível aumentou 2,80%.

— Além disso, muitos distribuidores estão reduzindo os descontos. Onde a prática era ter promoções, isso vem diminuindo — disse a coordenadora.

Baixa renda

Segundo Eulina, a inflação foi mais "agressiva" com as famílias de baixa renda do que com a média do País. Sinal disso é a alta de 11,28% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) em 2015, mais do que a taxa de 10,67% exibida pelo índice ampliado, o IPCA.

— Para as pessoas de baixa renda, a inflação foi mais agressiva, o que faz com que elas seja relativamente mais sacrificadas — disse Eulina. 

O INPC mensura os preços percebidos por famílias com renda mensal de até cinco salários mínimos. O IPCA, por sua vez, estende esse limite a até 40 salários mínimos. Isso quer dizer que, no INPC, itens como energia elétrica, alimentos e transporte público têm mais importância, pois consomem uma fatia maior do orçamento das famílias. Foram justamente esses produtos e serviços que mais impulsionaram ainflação nacional em 2015.

Diário Catarinense

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