Investigadores enxergam "ameaça explícita" a políticos na delação de Léo Pinheiro

Investigadores enxergam

Foto: BETO BARATA / ESTADÃO CONTEÚDO

Um dos maiores empreiteiros do País e com estreita relação com autoridades e políticos de vários partidos, o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, fez um desabafo ao juiz Sérgio Moro. Ele disse que está sofrendo com as consequências da Operação Lava-Jato e que vai revelar todos os crimes que cometeu "seja quem for do outro lado".

Para os investigadores, o recado de Léo Pinheiro soa como uma ameaça explícita a agentes políticos que teriam sido contemplados com propinas. O empreiteiro depôs nesta terça-feira. Ele é alvo da Operação Lava-Jato, que lhe atribui protagonismo no esquema de cartel e propinas instalado na Petrobras entre 2004 e 2014.

Léo Pinheiro foi preso pela primeira vez em novembro de 2014, oito meses após o estouro da Lava-Jato. 

— Durante esse período, já são dois anos, né? Uma coisa que tem me angustiado muito, um prejuízo muito grande para mim, para minha família, para minha empresa, para os meus amigos — desabafou.

Frente a frente com Moro, o empreiteiro se disse disposto a contar tudo o que sabe — afinal, malogrou o acordo de delação premiada que negociava com a Procuradoria-Geral da República. 

— Eu quero colaborar, excelência, no que eu puder, agindo exatamente como fiz aqui. Eu sei dos crimes que cometi, não estou fugindo de nenhum deles e direi todos que cometi, seja quem for do outro lado — disse Léo Pinheiro, ao final de seu depoimento em que relatou a extorsão de políticos para proteger empreiteiros nas duas CPIs da Petrobras, em 2014.

Ele foi detido pela primeira vez na Operação Juízo Final, sétima fase da Lava-Jato, em novembro de 2014, e ficou custodiado preventivamente até abril de 2015 quando o Supremo Tribunal Federal (STF) deu habeas corpus a nove executivos de grandes empresas.

Condenação

Em agosto de 2015, Léo Pinheiro foi condenado a 16 anos e 4 meses de reclusão por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa no esquema de corrupção na Petrobras.

Com a perspectiva de perder os recursos nas instâncias superiores e passar uma longa temporada na cadeia, além do risco de ser condenado em novas denúncias da Lava-Jato, o empreiteiro chegou a negociar acordo de colaboração premiada com a força-tarefa da Lava-Jato.

Mas, como vazamento de informações sobre as tratativas do empresário com os investigadores, em agosto, o procurador-geral da República Rodrigo Janot, determinou a suspensão da negociação.

*Estadão Conteúdo

Diário Catarinense

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