Itaú lucra R$ 23,36 bilhões em 2015, alta de 15,4%

Com inadimplência em alta, empréstimos em 2016 devem ter alta de no máximo 4,5%.

Itaú lucra R$ 23,36 bilhões em 2015, alta de 15,4%

Itaú lidera lista de reclamações do BC - JEAN PIERRE PINGOUD / Bloomberg

O Itaú Unibanco registrou lucro líquido de R$ 23,36 bilhões em 2015, o que representa um crescimento de 15,4% em relação ao ano anterior. O aumento da margem financeira nas operações com clientes e o mercado e as maiores receitas com prestação de serviços contribuíram para esse resultado. No ano passado, o maior banco privado do país viu sua carteira de crédito avançar 4,6%, chegando a R$ 585,5 bilhões, um crescimento abaixo da inflação. Para 2016, a situação não deverá ser diferente, a instituição espera que o total de empréstimos cresça no máximo 4,5% - e, no pior cenário, tenha uma leve retração de 0,5%. 

Já o lucro recorrente, que desconsidera efeitos extraordinários, teve expansão de 15,6%, para R$ 23,832 bilhões. O retorno sobre o patrimônio líquido recorrente foi de 23,9%, pequena queda ante a rentabilidade de 24% obtida em 2014.No quarto trimestre, o lucro do banco foi de R$ 5,698 bilhões, alta de 3,2% frente ao mesmo período do ano anterior. O resultado recorrente ficou em R$ 5,773 bilhões.

Na semana passada, o Bradesco divulgou seu resultado de 2015: um lucro líquido de R$ 17,18 bilhões, o equivalente a uma alta de 13,9% na comparação com igual período de 2014. Já o Santander lucrou R$ 6,6 bilhões.

MUDANÇA NO CRÉDITO

Assim como já aconteceu em anos anteriores, o Itaú Unibanco vem concentrando seus esforços no crescimento da carteira de crédito em linhas com menor risco. Com isso, modalidades como o consignado (desconto em folha de pagamento) apresentam crescimento expressivo - 12,1% no ano, para R$ 45,437 bilhões. Já aquelas consideradas mais arriscadas têm forte retração, como é o caso de financiamentos de veículos, cujo estoque caiu 30,9% no ano passado, para R$ 19,984 bilhões. 

No caso das operações destinadas a empresa, a retração maior ocorre no segmento de pequenas e médias, que em 2015 fechou em queda de 1,7%, a R$ 82,688 bilhões. A carteira de crédito do Itaú já considera avais, fianças e títulos com risco de crédito para o banco. 

E apesar de priorizar as operações com menor risco, a inadimplência (atrasos acima de 90 dias) no Itaú apresentou um leve aumento. Em dezembro, esse índice era de 3,5%, ante 3,4% no terceiro trimestre e 3,1% em dezembro de 2014.A inadimplência teria sido ainda maior se o banco não tivesse realizado uma transferência de ativos na carteira de créditos em atraso. "Ao final do quarto trimestre de 2015, realizamos transferência de ativos com empresa ligada, sem retenção de risco, com menor perspectiva de recuperação, relativos a grupos econômicos específicos", informou o banco em comunicado, sem especificar quais são os grupos econômicos inadimplentes. Se o ajuste não tivesse sido feito, a inadimplência da carteira de crédito teria chegado a 3,7%. 

Nas pessoas físicas, a inadimplência chegou a 5,4%, ante 5,1% em setembro e 4,7% em dezembro de 2014. No caso da carteira de pessoa jurídica, o índice de atrasos acima de 90 dias passou de 2% em setembro de 2015 para 1,9% em dezembro - mas teria chegado a 2,3% se não tivesse sido feito o ajuste dos créditos em recuperação. Em dezembro de 2014 era de 1,8%. 

O banco encerrou o ano com ativos totais de R$ 1,359 trilhão, alta de 12,4% na comparação com 2014.

O Globo 

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