Moro defende manifestações "sem violência e sem ódio"

Moro defende manifestações

Foto: DIDA SAMPAIO / ESTADÃO CONTEÚDO

O juiz federal Sérgio Moro, que conduz os processos em primeiro grau da Operação Lava-Lato, defendeu publicamente nesta semana o direito a manifestações, "seja de um grupo ou seja de outro", desde que realizadas "sem violência e sem ódio". 

— São compreensíveis as angústias e as reclamações diante do contexto econômico e político, mas ainda sim é importante que isso seja desenvolvido sem discurso de ódio, sem violência contra ninguém — afirmou Moro em palestra para empresários, em Curitiba.

— Apesar desse quadro um tanto quanto desalentador do momento, recessão profunda, desemprego crescente e corrupção sistêmica, eu tenho confiança de que nós, brasileiros, vamos conseguir superar esses problemas — comentou. 

O juiz da Lava-Lato falou a empresários em duas palestras realizadas em Curitiba, nesta quarta e quinta-feira. Ele defendeu as investigações da operação e o enfrentamento ao que chamou de "corrupção sistêmica" no país. Para o magistrado, a crise econômica não é resultado das investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal que revelaram o maior escândalo de corrupção do governo federal.

— Temos uma história nesse país, já superamos crises econômicas pretéritas terríveis, nós vencemos duas ditaduras no século 20, Estado Novo e a ditadura militar, tivemos triunfo contra a hiper inflação nos anos 80 anos 90, tivemos a crise da dívida nos anos 80, mas nos superamos todos esses problemas. Mas superamos andando juntos pra frente e não para trás — mencionou. 

O juiz da Lava-Jato repetiu nos dois eventos ficar "consternado com esse quadro econômico, de recessão e desemprego". Mas afirmou não acreditar que a culpa seja da Lava-Jato. 

— Trabalhar contra um quadro de corrupção sistêmica é algo que só nos traz ganhos, não tenho nenhuma dúvida quanto a isso — avaliou

— Tenho crença de que, confiando na democracia, confiando nas instituições, confiando na regra do direito, nós vamos conseguir superar esses desafios — conclui Moro.

Diário Catarinense 

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