Papel de Palocci em esquema de corrupção era maior do que de José Dirceu, aponta Lava-Jato

Papel de Palocci em esquema de corrupção era maior do que de José Dirceu, aponta Lava-Jato

Foto: Danilo Verpa / Folhapress

A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta segunda-feira, a 35ª fase da Operação Lava-Jato, intitulada Omertà, em que foi preso temporariamente o ex-ministro Antonio Palocci. Ele é investigado por indícios de manter uma relação criminosa com o comando da principal empreiteira do país, a Odebrecht. 

A força-tarefa da Lava-Jato detalhou, durante uma entrevista coletiva à imprensa realizada no final da manhã, a suposta participação de um dos mais poderosos ministros das gestões Lula e Dilma, e que teria atuado, inclusive, após deixar o governo federal. Palocci saiu da Casa Civil em 2011, cinco meses após ter assumido o cargo. Segundo a procuradora da República Laura Gonçalves Tessler, ele negociou propinas até novembro de 2013:

— Observamos uma atuação intensa e reiterada de Palocci em defesa dos interesses da empresa (Odebrecht) junto à administração federal.

Ainda segundo ela, Palocci se reuniu pessoalmente com executivos da empreiteira em cerca de 30 ocasiões. As reuniões ocorreram, inclusive, na casa do ex-ministro e na sede de sua empresa, o que demonstra "proximidade" entre eles e que não queriam testemunhas. Mesmo sem saber o teor dos encontros, eles eram marcados por e-mails. 

Além disso, a troca de mensagens entre o empresário Marcelo Odebrecht e Palocci passou a ser criptografada após o início da Operação Lava-Jato, o que demonstra que não queriam ser rastreados. 

O delegado da PF Filipe Hille Pace evitou comparar o ex-ministro, em termos de escala de participação no esquema de corrupção, com Guido Matega, preso na semana passada, e do ex-presidente Lula, que se tornou réu na Lava-Jato. No entanto, confirmou que Palocci teve um papel maior do que o de José Dirceu — preso desde agosto de 2015 e já condenado na Lava-Jato: 

— Não restam dúvidas disso — resumiu Pace, se referindo à intimidade e valores negociados pelo ex-ministro com a empreiteira.

Segundo os investigadores, Palocci negociou o repasse de R$ 128 milhões da empreiteira ao PT. Parte do montante teria sido disfarçado de doações eleitorais, mas como nem todos foram feitos em anos eleitorais, sabe-se que tinha outros destinos, que ainda estão sendo apurados.

Dentre as negociações feitas por Palocci identificadas pela Lava-Jato estão as tratativas entre a Odebrecht e o ex-ministro para a tentativa de aprovação do projeto de lei de conversão da MP 460/2009 (que resultaria em imensos benefícios fiscais), aumento da linha de crédito junto ao BNDES para país africano com a qual a empresa tinha relações comerciais, além de interferência no procedimento licitatório da Petrobras para aquisição de 21 navios sonda para exploração da camada pré-sal.

Ex-chefe de gabinete do ex-ministro Antonio Palocci na Fazenda, Juscelino Dourado, e o ex-assessor Branislav Kontic, que atuou com Palocci na Casa Civil, também foram presos nesta segunda-feira por suposto envolvimento no esquema de desvios na Petrobras.

Contrapontos: 

O que diz a defesa de Antonio Palocci

O criminalista José Roberto Batochio, defensor de Palocci, afirma que o ex ministro nunca recebeu vantagens ilícitas. Batochio disse que ainda não tem detalhes sobre os motivos da prisão de Palocci. Batochio acompanhou Palocci à superintendência da PF em São Paulo, e que será levado a Curitiba hoje à tarde.

O criminalista foi enfático ao protestar contra o que chamou de 'desnecessidade' da prisão do ex-ministro. Ele criticou, ainda, o nome da nova fase da Lava Jato, Omertà.

"A operação que prendeu o ex-ministro é mais uma operação secreta, no melhor estilo da ditadura militar. Não sabemos de nada do que está sendo investigado. Um belo dia batem à sua porta e o levam preso. Qual a necessidade de prender uma pessoa que tem domicílio certo, que é médico, que pode dar todas as explicações com uma simples intimação?", disse ele ao Estadão.

"O que significa esse nome da operação? Omertà? Só porque o ministro tem sobrenome italiano se referem a ele invocando a lei do silêncio da máfia? Além de ser absolutamente preconceituosa contra nós, os descendentes dos italianos, esta designação é perigosa."

A Odebrecht

A empresa não vai se manifestar sobre o assunto.

Diário Catarinense 

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