Preso novamente pela PF, Carlinhos Cachoeira já respondia por mais de uma dezena de crimes

Preso novamente pela PF, Carlinhos Cachoeira já respondia por mais de uma dezena de crimes

Foto: DIDA SAMPAIO / AGENCIA ESTADO

Na manhã desta quinta-feira, o empresário Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, voltou a ganhar as manchetes dos jornais por estar envolvido em ações criminosas.

Implicado há anos em esquemas de jogos ilegais, o goiano natural de Anápolis foi preso no condomínio de luxo em que mora, em Goiânia, alvo da Operação Saqueador, que investiga um esquema de lavagem de R$ 370 milhões em verbas públicas.

A ação é realizada pelo Ministério Público Federal em parceria com a Polícia Federal. Mas essa não é a primeira vez que Cachoeira vai para trás das grades.

Escândalo no Governo Lula

O nome do contraventor ficou conhecido em 2004, quando protagonizou o primeiro escândalo de corrupção do governo Lula.

Na ocasião, a divulgação de uma fita gravada em 2002 — que teria sido encomendada pelo próprio Cachoeira —, mostrava Waldomiro Diniz, então assessor da Presidência da República para Assuntos Parlamentares no governo Lula, cobrando propina de Cachoeira para campanhas eleitorais do PT.

Em troca, Diniz prometia ajudar Cachoeira em uma concorrência pública no Rio. Como a ajuda não teria vindo, a gravação acabou vazando.

Diniz, que elaborava uma medida provisória para legalizar os bingos no país, deixou o governo no mesmo dia, provocando a primeira crise política da gestão Lula. Ele e Cachoeira foram condenados em 2012 por corrupção e fraude contra a lei de licitações.

Operação Monte Carlo

Mas as acusações contra o contraventor não pararam por aí. Em 29 de fevereiro de 2012, Cachoeira foi preso pela Polícia Federal durante a Operação Monte Carlo, que desarticulou uma organização que explorava máquinas de caça-níquel no Estado de Goiás por 17 anos e apurou a máfia dos jogos de azar e suas ligações com políticos e empresários.

Ele foi condenado a 39 anos de prisão pela Justiça Federal de Goiás. Após nove meses preso no presídio da Papuda, em Brasília, ganhou liberdade em novembro do mesmo ano. Cachoeira obteve um habeas corpus após a defesa alegar que o empresário não oferecia mais risco à sociedade.

Operação Saint Michel

Ainda em 2012, no início de abril, o nome de Cachoeira também apareceu envolvido em outra operação da Polícia Federal, a Saint Michel, um desdobramento da Monte Carlo.

Esta operação investigou denúncias de fraudes na licitação da bilhetagem eletrônica no transporte público de Brasília. Então, Cachoeira foi acusado pelo crime de violação de sigilo funcional, com pena de cinco anos de prisão em regime semiaberto. A defesa entrou com recurso, e ele foi autorizado a aguardar o julgamento em liberdade.

CPI do Cachoeira

A gravidade e repercussão dos casos levaram o Congresso Nacional a criar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, denominada CPMI do Cachoeira.

Oficialmente instalada em 25 de abril de 2012, a CPI mista especificava mais de uma dezena de crimes cometidos pelo contraventor e seu grupo. Na lista, constavam corrupção, formação de quadrilha, fraude em licitações e tráfico de influência.

Após oito meses de investigação, a CPMI acabou sem propor o indiciamento de nenhum dos investigados. A única providência concreta do parecer, que de apenas duas páginas, foi encaminhar as conclusões da apuração para a Polícia Federal e para o Ministério Público Federal.

Operação Saqueador

Na manhã desta quinta-feira, Cachoeira, que respondia a todos os crimes em liberdade, voltou a ser preso pela PF, em uma ação que também cumpre mandados de prisão contra Adir Assad e Fernando Cavendish, que é dono da empresa Delta Construções.

Desta vez, Ministério Público Federal descobriu que, entre 2007 e 2012, quase 100% do faturamento da Delta veio de contratos públicos, chegando ao montante de quase R$ 11 bilhões.

Desse total, mais de R$ 370 milhões teriam sido lavados por meio de pagamento ilícito a 18 empresas de fachada. Cachoeira seria um dos envolvidos no esquema.

Os investigados poderão responder pelos crimes de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, peculato, entre outros.

Diário Catarinense 

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