Previsão para inflação de 2017 cai para 5,20%, na 4ª queda consecutiva

Previsão para inflação de 2017 cai para 5,20%, na 4ª queda consecutiva

Ronald Mendes / Agencia RBS

As projeções do mercado financeiro para a inflação do ano que vem caíram pela quarta semana consecutiva no Relatório de Mercado Focus, divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central (BC). De acordo com o documento, a mediana para 2017 saiu de 5,29% para 5,20%. Há um mês estava em 5,43%. Para o IPCA deste ano, as estimativas ficaram congeladas em 7,21% de uma semana para outra – a taxa estava em 7,27% quatro semanas atrás.

A meta de inflação deste e do próximo ano é de 4,50%, com tolerância de dois pontos porcentuais em 2016 e de 1,5 ponto porcentual em 2017. O mesmo limite de 1,5 ponto foi determinado para 2018.

No comunicado do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) e na ata da reunião, divulgada na semana passada, o BC informou que, pelo cenário de referência, que pressupõe a Selic (a taxa básica de juros) inalterada em 14,25% ao ano e um dólar a R$ 3,25, as projeções apontam para uma inflação em torno da meta de 4,5% já em 2017. No cenário de mercado, que utiliza as trajetórias para os juros e o câmbio apuradas na pesquisa Focus, a inflação projetada para 2017 está em torno de 5,3%.

Para 2016, a ata do Copom indicou que as projeções, tanto no cenário de referência quanto no de mercado, apontam para uma inflação em torno de 6,75%.

Entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do índice no médio prazo, denominadas Top 5, as medianas das projeções para este ano passaram de 7,20% para 7,16%. Para 2017, apresentaram recuo considerável, de 5,29% para 4,97%. Quatro semanas atrás, as expectativas eram de, respectivamente, 7,18% e 5,30%.Já a inflação suavizada 12 meses à frente voltou a ceder, passando de 5,63% para 5,55% de uma semana para outra – há um mês, estava em 5,90%. Estas reduções para prazos mais longos ocorrem apesar de as estimativas para os índices mensais dos próximos meses ainda estarem resilientes: as de julho passaram de 0,40% para 0,41% (quatro semanas antes estavam em 0,38%). Para agosto, seguiram em 0,30%, sendo que um mês antes estavam em 0,31%.

Preços administrados

O Relatório Focus voltou a mostrar mudanças nas projeções para os preços administrados, tanto em 2016 quanto em 2017. A mediana das previsões do mercado financeiro para este indicador este ano passaram de alta de 6,38% para avanço de 6,25%. No próximo ano, as projeções também são mais animadoras e a mediana passou de alta de 5,50% para elevação de 5,42% – foi a primeira alteração na mediana do próximo ano após 11 semanas de estabilidade. Há um mês, o mercado projetava aumento de 6,94% para os preços administrados em 2016 e elevação de 5,50% para 2017.O BC conta com forte desinflação desse segmento para levar o IPCA para o intervalo de 4,5% a 6,5% em 2016. Nos últimos tempos, o dólar mais baixo também tem mostrado que pode colaborar com o movimento.

Em comunicações recentes, o BC enfatizou que a retração econômica pode ajudar neste processo de desinflação. Por outro lado, enfatizou que a inflação corrente e as expectativas, ambas elevadas, seguram este processo.Na ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada na semana passada, a instituição projetou uma variação de 6,6% para os preços administrados em 2016 e de 5,3% para 2017.

PIB

As projeções do relatório Focus desta semana deixam claro que, pelo menos em 2016, a recessão econômica seguirá profunda. Pelo documento, houve leve melhora nas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) este ano, mas ainda assim o cenário é de forte retração: a mediana projetada passou de -3,27% para -3,24%. Há um mês, o mercado previa uma retração de 3,35%.

Para 2017, o cenário é um pouco melhor, com perspectiva de PIB positivo. Ainda assim, o mercado prevê para o país, conforme o relatório Focus, um crescimento de apenas 1,10% no próximo ano, mesmo porcentual projetado há uma semana. Um mês antes, estava em 1,00%.Em junho, o Banco Central (BC) informou no Relatório Trimestral de Inflação (RTI) que sua nova estimativa para o PIB deste ano é de retração de 3,3%, ante baixa de 3,5% vista na edição anterior do documento.

As estimativas para a produção industrial mostraram tendências diferentes na pesquisa Focus para este e o próximo ano. Para 2016, a queda prevista seguiu em 5,95%. Já para 2017, a projeção permaneceu em alta de 0,75%.

Dívida

Pioraram as projeções para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para este ano. A mediana saiu de 44,45% para 44,55% de uma semana para a outra. Um mês atrás, estava em 43,90%. Para 2017, as expectativas no boletim Focus permaneceram em 49,00%, ante projeção apontada um mês atrás de 48,31%.

Balança comercial

Apesar do patamar mais baixo do dólar, que se distanciou nos últimos meses dos R$ 4, as projeções mais recentes do mercado financeiro para a balança comercial seguiram indicando resultados robustos para a balança comercial. Pelo Relatório de Mercado Focus a estimativa de superávit comercial em 2016 seguiu em US$ 51,1 bilhões. Um mês atrás, estava em US$ 51,05 bilhões. Na estimativa mais recente do BC, o saldo positivo de 2016 ficará em US$ 50 bilhões.

Para 2017, as estimativas no Focus permaneceram em US$ 50 bilhões de uma semana para outra – mesmo valor calculado um mês antes.

No caso da conta corrente, as previsões para 2016 continuam com um déficit de US$ 15,00 bilhões, pela sexta edição consecutiva. O montante de US$ 15 bilhões de déficit é também a previsão do BC. Na semana passada, a instituição informou que no primeiro semestre o país acumulou um déficit na conta corrente de US$ 8,444 bilhões.

Para 2017, a perspectiva do mercado financeiro de déficit voltou a mudar, passando de US$ 14,91 bilhões para um rombo de US$ 14,45 bilhões de uma semana para outra. Quatro semanas atrás, a perspectiva era de déficit menor, de US$ 12,60 bilhões.

Para os analistas consultados semanalmente pelo BC, o ingresso de Investimento Direto no País (IDP) será bem mais do que suficiente para cobrir o resultado deficitário nos dois anos. A mediana das previsões para o IDP em 2016 passou de US$ 63,50 bilhões para US$ 65 bilhões de uma semana para a outra – estava em US$ 64,00 bilhões um mês antes. No primeiro semestre do ano, conforme os dados divulgados na semana passada pelo BC, o IDP somou US$ 33,816 bilhões. Nas revisões promovidas pelo BC, a perspectiva é de ingresso de US$ 70 bilhões de IDP no País em 2016, sendo que a estimativa anterior era de US$ 60 bilhões.Para 2017, a perspectiva de volume de entradas de investimento direto permaneceu em US$ 65 bilhões.

Juros

No primeiro relatório Focus após a divulgação da ata do encontro mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom), o documento trouxe mudança nas previsões para o patamar da Selic (a taxa básica de juros) no fim deste ano. A mediana das projeções do mercado financeiro para a taxa mudou de 13,25% para 13,50% ao ano. Há um mês, estava em 13,25% ao ano.

Para o fim de 2017, o mercado seguiu projetando, pela quinta semana consecutiva, uma Selic a 11,00% ao ano. Já a Selic média de 2016 passou de 14,06% para 14,13% ao ano. Para 2017, subiu de 11,75% para 11,78%. Há um mês, a mediana das taxas médias projetadas para este e para o próximo ano eram de, respectivamente, 14,06% e 11,67%.

A mudança nas projeções para a Selic em 2016 ocorre após sinalizações recentes do BC de que não há espaço para redução da taxa básica no curto prazo. Na ata do último encontro do Copom, divulgada na semana passada, a instituição citou riscos de curto prazo para a inflação no Brasil, como a recente elevação nos preços dos alimentos, além dos períodos prolongados de inflação alta e de expectativas acima da meta, que reforçam os mecanismos de inércia.

Para o grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções (Top 5) de médio prazo, a taxa básica – que atualmente está em 14,25% ao ano – terminará este ano em 13,75% ao ano, como previam na semana anterior. Um mês atrás, estava em 13,50%. Para o ano que vem, as estimativas ficaram estáveis em 11,25% ao ano.

Câmbio

Em meio ao esforço do Banco Central (BC) para reduzir sua posição vendida em contratos de swap cambial, por meio de operações diárias de swap cambial reverso, o Relatório de Mercado Focus voltou a mostrar queda das estimativas para o câmbio deste ano. O documento divulgado pelo BC indicou que a cotação da moeda estará em R$ 3,30 no encerramento de 2016, ante projeção de R$ 3,34 do levantamento anterior. Um mês atrás, estava em R$ 3,46. O câmbio médio de 2016 passou de R$ 3,47 para R$ 3,46 de uma semana para a outra - um mês antes, estava em R$ 3,51.Para o fim de 2017, a mediana seguiu em R$ 3,50 de uma divulgação para a outra - quatro semanas atrás estava em R$ 3,70. Já o câmbio médio do ano que vem foi de R$ 3,46 para R$ 3,45 de um levantamento para o outro - estava em R$ 3,61 um mês atrás.

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