Temer só indicará o sucessor de Teori Zavascki depois de o STF escolher relator da Lava-Jato

Temer só indicará o sucessor de Teori Zavascki depois de o STF escolher relator da Lava-Jato

Foto: Mariana Fontoura / Especial / Agência RBS

O presidente Michel Temer (PMDB), ciente da popularidade da Operação Lava-Jato, jogou para a torcida. Prometeu indicar um novo membro para o Supremo Tribunal Federal (STF) só após a corte escolher o novo relator dos mais de 70 processos da Lava-Jato que tramitam em Brasília. 

O anúncio foi feito em meio ao velório do ministro do STF Teori Zavascki, na sede do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), em Porto Alegre, cidade onde o corpo do ministro morto em acidente aéreo será sepultado neste sábado. Teori morreu na queda de um avião no balneário de Paraty (RJ), na quinta-feira.

A decisão de Temer foi elogiada por políticos presentes nas cerimônias fúnebres, como Rodrigo Maia (do DEM, presidente da Câmara dos Deputados) e o senador gaúcho Lazier Martins (PDT).

– É a decisão acertada para uma hora difícil – ponderou Maia.

Com o anúncio de Temer, a presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, fica à vontade para sortear um novo relator para os casos da Lava-Jato ou, então, para submeter um nome ao pleno do Tribunal (para avaliação dos nove ministros restantes, já que a própria Cármen não votaria). A segunda hipótese é a mais provável, já que algumas autoridades sob suspeita (entre elas o próprio Temer) só poderiam ser julgadas pelos 11 ministros.

Cármen Lúcia também compareceu ao velório do colega Teori, mas não quis falar com a imprensa. Ela chegou por volta das 7h e ficou até o começo da cerimônia, por volta das 9h. Aos amigos, comentou que é hora de homenagens, não de decisões delicadas.

Michel Temer desembarcou na Base Aérea de Canoas por volta das 13h e compareceu à cerimônia acompanhado de um séquito de ministros que atuam no núcleo político do governo: José Serra (Relações Exteriores), Osmar Terra (Desenvolvimento Social e Agrário), Eliseu Padilha (Casa Civil) e Alexandre Moraes (Justiça). Todos se alinharam em frente ao caixão de Teori. O presidente tocou no esquife (fechado e ornamentado com a bandeira do Brasil) e fechou os olhos.

Acompanharam também Temer na visita o governador gaúcho José Ivo Sartori (PMDB), o secretário estadual da Segurança Pública, Cezar Schirmer, e o governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB).

Temer foi pródigo em elogios ao morto. Falou que Teori era "um homem de bem, de têmpera, de ação moral e profissional". O presidente da República considerou que o Brasil chora a perda de um homem que honrou a memória do país. "Que Deus o conserve e console o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde ele viveu", finalizou Temer.

A tarefa que aguarda o sucessor de Teori Zavascki no cargo é hercúlea. Mais de 5,3 mil processos tramitam no gabinete do ministro que morreu. Entre eles, cerca de cem envolvendo políticos. Afora isso, Teori passou o verão analisando mais de 800 depoimentos de 77 delatores premiados da empreiteira Odebrecht, que viraram colaboradores da Lava-Jato. Eles revelaram atos de corrupção ou Caixa 2 de 229 políticos brasileiros, entre governadores, deputados federais, senadores e ministros.

Todo esse trabalho está suspenso até que seja escolhido novo relator para a Lava-Jato no STF.

Diário Catarinense 

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