"Golpe, farsa e traição", afirma Dilma em referência a Temer e Cunha

Foto: Diego Vara / Agência RBS

A presidente Dilma Rousseff atacou duramente o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o vice-presidente, Michel Temer, ao citar, durante o evento batizado de Encontro da Educação pela Democracia, que há "dois chefes da conspiração que agem em conjunto de forma premeditada".

— Vivemos estranhos tempos de golpe, farsa e traição. Existem, sim, dois chefes que agem em conjunto de forma premeditada. Como muitos brasileiros, tomei conhecimento e confesso que fiquei chocada com a desfaçatez da farsa do vazamento. Vazando pra eles mesmos. Estranho vazamento — disse, em referência ao áudio em que Temer fala como se o impeachment já tivesse sido aprovado.

— Este chefe conspirador não tem compromisso com o povo. Diz que está pensando em manter as conquistas sociais. Como se conquistas sociais se pensasse ou não em manter. Cai a máscara dos conspiradores. A quem interessa usurpar do povo brasileiro o sagrado direito de escolher quem o governa? Como acreditar num pacto de salvação e unidade nacional sem sequer uma gota de legitimidade democrática? Como acreditar que haverá sustentação pra tal aventura? Sem legitimidade ninguém pacifica, ninguém constrói unidade — continuou a presidente no evento batizado de Encontro da Educação pela Democracia.

A presidente iniciou o discurso dizendo que repetiria uma das frases de um dos cartazes portados por um dos presentes: 

— Esse não será o país do ódio, definitivamente não será o país do ódio — disse a presidente antes mesmo de citar os presentes. 

— Que não se construa o ódio como uma forma de fazer política no país. O ódio, a ameaça, a perseguição de pessoas — completou ela.

Dilma finalizou citando uma frase que a cantora Beth Carvalho cantou no ato contra o impeachment no Rio, na segunda-feira: 

— Como cantou ontem Beth Carvalho no ato dos artistas, afirmando que não vai ter golpe de novo: "Sem dividir o coração vamos honrar nossa raiz. Democracia é o que a gente sempre quis".

Antes de Dilma, o ministro Celso Pansera, da Ciência, Tecnologia e Inovação disse que ele e outros dois ministros deputados licenciados do PMDB — o da Saúde, Marcelo Castro, e o da Aviação Civil, Mauro Lopes — deixarão os cargos para votarem contra o processo de impeachment na Câmara.

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, também defendeu Dilma. 

— Estão procurando contra essa combativa senhora tudo que pudesse atingir sua história de vida, percorreram todos os capítulos da historia e não encontraram nada a não ser a coerência de quem foi presa e torturada lutando pela democracia — disse. 

— Os golpistas estão prestando uma grande homenagem a sua vida, sua biografia, sua história — afirmou.

Entre os 11 representantes da educação, o discurso foi contrário ao impeachment, mas com vários pedidos à presidente pelo aumento dos investimentos em educação, ciência e tecnologia, além de medidas econômicas como a taxação de grandes fortunas. 

— Hoje estaremos contra impeachment, amanhã estaremos nas ruas pelos 10% do PIB (para a educação), pelo PNE (Plano Nacional de Educação), pela expansão das universidades e por mais futuro e educação — afirmou Carina Vitral, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Ela lembrou que a entidade lutou pelo Fora Collor, no impeachment do ex-presidente e senador Fernando Collor (PTC), e repetiu o discurso de que "para ter impeachment precisa ter crime de responsabilidade", disse. 

— Não nos sentimos representados por Michel Temer, por Eduardo Cunha e nem por Aécio Neves — completou.

*Com informações do jornal O Globo e Estadão Conteúdo

Diário Catarinense 

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