"Vão ter que me aturar um pouquinho mais", diz Cunha

Com apoio de petistas, PSOL e Rede pedem cassação do presidente da Câmarapor quebra de decoro.

Foto: Gustavo Lima / Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), reagiu com ironia à pressão que vem sofrendo de opositores para que deixe o cargo diante das denúncias de corrupção no esquema investigado pela Operação Lava-Jato.

— Acho que vão ter que me aturar um pouquinho mais — respondeu o peemedebista quando abordado sobre os pedidos para que saia da presidência.

Nesta terça-feira, o PSOL, com assinaturas de parlamentares de outros partidos, apresentou ao Conselho de Ética da Câmara pedido de cassação de Cunha por quebra de decoro. Cunha afirmou estar "firme" e "tranquilo" e negou que ser alvo de pressão.

— Quando houve a instauração do inquérito, o PSOL pediu meu afastamento. Quando houve depoimento de delator, o PSOL pediu meu afastamento. Quando houve pedido de denúncia, o PSOL pediu meu afastamento. Por que não pediria agora? Já entrou na corregedoria duas vezes. ê da política. São os meus adversários políticos. ê normal. Estou aqui firme — afirmou Cunha. — Estou absolutamente tranquilo.

PSOL e Rede Sustentabilidade protocolaram nesta tarde no Conselho de Ética da Câmara uma representação contra o presidente da Casa por quebra de decoro parlamentar. Dos 46 parlamentares que assinaram o apoio ao início da ação parlamentar, 32 são do PT. Também assinaram o documento parlamentares do PSB, PPS, PROS e o deputado Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE).

Essa é a primeira representação em 2015 no Conselho de êtica contra um investigado na Operação Lava Jato. A representação conclui que Cunha mentiu à CPI da Petrobras ao negar que tivesse contas ocultas no exterior e pede a cassação do mandato parlamentar.

— A Câmara quebra o silêncio e toma uma iniciativa concreta — disse o líder do PSOL, Chico Alencar (RJ).

A representação será encaminhado à Secretaria-Geral da Mesa Diretora, que terá três dias para devolvê-lo ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. Em seguida, o colegiado sorteará três membros do Conselho e um deles será escolhido pelo presidente José Carlos Araújo (PSD-BA) como relator do processo. O parlamentar já avisou que não vai escolher o deputado Júlio Delgado (PSB-MG) como relator porque Delgado disputou a presidência da Casa com Cunha. "Não quero que paire dúvidas sobre a escolha do relator. Quero preservar o Júlio Delgado", justificou o presidente do Conselho de Ética.

A representação foi protocolada em uma reunião concorrida, com a presença de deputados que apoiaram o início do processo e membros dos Conselho. Araújo avisou que dará andamento a ação contra Cunha.

— Neste Conselho não haverá procrastinação — disse.

Impeachment

Eduardo Cunha indeferiu nesta terça-feira cinco pedidos de impeachment, mas disse que pode esperar uma decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal (STF) para se manifestar sobre o requerimento apresentado pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior.

O presidente da Câmara disse prestará informações e recorrerá, até esta quarta-feira, das liminares concedidas pelo STF que suspendem a aplicação do rito estabelecido por Cunha para o processo de impeachment. Ao contrário do entendimento do governo, o peemedebista disse que as implicações da decisão provisória do Supremo atingem apenas a tramitação a partir de um recurso, mas não a deliberação monocrática de Cunha. Ou seja, ele ainda pode deferir ou indeferir pedidos.

— A Casa vai recorrer. Não há qualquer alteração em relação ao meu papel originário de aceitar ou indeferir. Indeferi cinco agora. Não há nada em relação ao meu papel — afirmou.

Cunha rebateu ainda as acusações de que se manifestará sobre o impeachment por vingança.

— Não preciso ficar batendo boca com fofoca. Não preciso ficar me preocupando com aquilo que plantam através de vocês para criar um clima de instabilidade. Respondo com os fatos. O tempo, por si só, esclarece — afirmou.

*Estadão Conteúdo

Diário Catarinense 

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