"Vou ao Senado porque acredito na democracia", diz Dilma em ato

Foto: Miguel Schincariol / AFP

Em discurso durante ato organizado pela Frente Brasil Popular a dois dias do início do julgamento do impeachment no Senado, a presidente afastada Dilma Rousseff afirmou que acusação da qual ela é alvo no Congresso "é absolutamente pífia". Dilma classificou o processo como um "golpe parlamentar" e voltou a dizer que não cometeu nenhum crime de responsabilidade durante seu governo. Ela reforçou que irá pessoalmente ao Senado na próxima segunda-feira fazer sua defesa. 

— Nós somos democratas, nossa maior arma é ampliar o espaço de discussão e debate em grupo. Por isso, eu vou sim ao Senado, porque acredito na democracia deste País, devo isso ao povo desse País — disse.

Dilma reforçou a tese que não há base de sustentação para o impeachment. 

— Nós ganhamos a avaliação que isso é um golpe, se trata da utilização de um instrumento que de fato está previsto na Constituição, mas que não tem base de sustentação porque não houve um crime de responsabilidade — afirmou.

Dilma alegou que a democracia "não está garantida igual muitos de nós pensávamos". Para ela, o golpe não é militar por não usar armas, mas se caracteriza como um "golpe parlamentar". Sobre os decretos suplementares e as chamadas pedaladas fiscais, que são a base da acusação no Congresso, Dilma disse que os decretos "são meras ações do governo" e que as pedaladas foram usadas para financiar a agricultura.

— O Tribunal de Contas da União tomou uma decisão que nunca tinha sido estabelecida antes, por isso nós sabemos que esse processo de impeachment tem por base uma fraude — afirmou. 

Ela apontou ainda que esses instrumentos foram usados por todos os governos anteriores. Dilma afirmou que a democracia é "algo muito valioso" e que é preciso ter essa clareza "seja o que aconteça". 

— Lutei contra a ditadura, lutei contra o câncer e agora vou lutar contra qualquer injustiça.

PEC do teto

Dilma fez duras críticas à política econômica do governo interino de Michel Temer, tendo como alvo principal a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que vincula o crescimento das despesas públicas à inflação do ano anterior, durante um período de 20 anos. 

— Alguém votou para que os gastos com Saúde e Educação fossem congelados por 20 anos? Não votamos — disse.

— Sobre essa PEC 241, que congela o valor real por 20 anos dos recursos de Educação e Saúde, a gente tem que considerar que nossa população é jovem, quanto mais ela crescer com os recursos congelados, diminui a participação per capita de cada brasileiro nos gastos com Educação e Saúde — afirmou a petista.

Dilma também disse que é preciso ter "muita preocupação" com a flexibilização das leis trabalhistas, citando como exemplo a questão das horas extras. 

— É a forma pela qual eles querem ampliar a jornada de hora extra sem pagar 50% e 100% que a lei prevê, respectivamente na semana e no mês — disse.

— Isso é o que eles chamam de medidas antipopulares — afirmou a presidente afastada. 

— Eles acreditam que vão sair da crise tendo uma posição contrária ao povo — emendou.

Ela também criticou a proposta de desvincular o salário mínimo da Previdência e disse que o governo de Temer quer fazer uma "grande privatização das riquezas do País", mencionando os recursos do pré-sal. E questionou quem "vai pagar o pato?". "Como pensam em sair da crise?"

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, o ex-ministro do Trabalho Miguel Rossetto e o presidente nacional do PT, Rui Falcão, também participam do evento na Casa de Portugal, no bairro Liberdade, em São Paulo. 

Dilma estará em Brasília, na quarta-feira, para outro evento semelhante organizado pelo movimento.

*Estadão Conteúdo

Diário Catarinense 

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