Cunha quer apressar processo do impeachment para tirá-lo de cena, diz Wagner

Cunha quer apressar processo do impeachment para tirá-lo de cena, diz Wagner

Foto: Antonio Cruz / Agencia Brasil / Fotos Públicas

O ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, disse, em entrevista nesta segunda-feira, que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), quer apressar o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff para tirá-lo da cena, já que o processo pela cassação dele está em andamento. 

— Ele deve estar com pressa para ver se ele sai de cena — declarou o ministro, ao lembrar que Cunha usou como "trunfo" o fato de conduzir o processo.

Para o ministro Wagner, Cunha se move "por raiva". Na opinião do ministro, o presidente da Câmara atribui à presidente Dilma responsabilidades sobre as investigações contra ele, o que não faz sentido.

— Ele acha que foi a presidente Dilma quem o atrapalhou, como se ela tivesse poder sobre a Polícia Federal, o Supremo Tribunal Federal ou o Ministério Público — argumentou.

— E o troco que ele quer dar é: a senhora vai antes de mim — complementou.

Jaques Wagner lembrou que o impeachment tem um rito, que vai ser cumprido.

— E nós vamos trabalhar para barrar o impeachment na Câmara — declarou ele, ao explicar que, para reverter isso, o governo vai "conversar, conversar e conversar". E emendou: 

— Vou falar para o deputado e mostrar que quem está se iludindo que esse processo (de impeachment) corrige o Brasil, está enganado. Esse processo vai parar o Brasil o resto do ano.

Para ele, "estão banalizando coisas que deveriam ser nobres".

— Na democracia não tem nada mais sagrado do que voto popular. E eu vou voltar a dizer, impeachment não é remédio nem para crise econômica, nem para impopularidade, e estão querendo usar desta forma. Não vai dar bom negocio. Isso é que eu acho um absurdo — disse.

Para o ministro da Casa Civil, "o clamor da rua não deveria repercutir no processo de impeachment". E explicou: 

— No processo de impeachment do Collor, era claro um processo de corrupção atribuído ao presidente da República. No caso dela, não há nenhum aspecto de crime de responsabilidade atribuído à presidente Dilma. É um artifício pela impopularidade dela, pela crise econômica, de querer usar uma ferramenta que é constitucional, que deveria ser da exceção. Não se pode todo dia querer usar isso, porque, senão, vai virar bagunça total.

O ministro lembrou que "democracia depende de regras estáveis e perenes e, quando você começa a fazer manifestação na democracia, você vai jogando a democracia no lixo". Para ele, isso é usar a ferramenta do impeachment ao seu interesse.  

Diário Catarinense 

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