Dilma afirma ter convicção de que tem votos para barrar impeachment

Dilma afirma ter convicção de que tem votos para barrar impeachment

Foto: José Cruz / Agência Brasil

No momento em que o PMDB prepara o desembarque do governo, assim como outros partidos da base aliada, e o Palácio do Planalto contabiliza voto a voto para segurar o impeachment, a presidente Dilma Rousseff assegurou, em entrevista, que tem os votos necessários para barrar a tentativa de afastá-la do cargo.

— A gente tem que esperar o processo acontecer. Mas eu tenho convicção de que teremos votos necessários (para impedir o impeachment) — declarou a presidente, que precisa ter 172 votos para barrar o processo.

Dilma classificou como "uma suposição que não é correta" a notícia divulgada de que o vice-presidente Michel Temer (PMDB) já estaria se movimentando para fazer composições para a sucessão da petista.

— Tem avaliações que não são só precipitadas, como não são corretas — afirmou ela, acrescentando que tem "muita certeza de que os nossos ministros (do PMDB) estão comprometidos com sua permanência no governo". 

E apelou: 

— Nós queremos muito que o PMDB permaneça no governo. Tenho certeza que meus ministros têm compromisso com o governo. Vamos ver quais serão as decisões do PMDB e respeitaremos tal decisão.

O PMDB marcou para o dia 29 de março a reunião para que o partido desembarque do governo. Nesta terça-feira, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o ex-presidente José Sarney para tentar manter o partido na base, mas não conseguiu os apoios necessário.

Questionada sobre o insucesso de Lula junto ao PMDB, a presidente afirmou que ele "não estava tratando disso". Dilma disse também que "não só acredita" que o presidente Lula vá para a Casa Civil, "como está trabalhando para tal".

Golpe

Dilma voltou a chamar o processo de impeachment contra ela de "ilegítimo", "ilegal" e "golpe". Pediu também que houvesse "grande esforço para parar a tentativa sistemática de golpe" e elogiou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki de trazer para a suprema corte todas os processos ligados ao ex-presidente Lula e que contém conversas dela em gravações.

— A palavra não é comemorar. Todos os brasileiros devem ficar muito preocupados quando processos judiciais não são feitos dentro da lei — disse ela, acentuando que "a base do estado democrático é o cumprimento por todos da legislação, da Constituição. — Isso vale para presidente, ministro, Ministério Público, Polícia Federal, para todos os cidadãos, para cada um de nós, vale a mesma lei, dentro do princípio de que somos todos iguais perante a lei.

A presidente comentou ainda que considera a decisão do ministro Teori "importante porque ela estabelece o primado da lei, nas relações dos órgãos que investigam o presidente Lula".

Dilma prosseguiu afirmando que as investigações contra Lula foram "um absurdo". Em seguida, explicou que este processo, "feriu a base do estado democrático de direito e as garantias e direitos constitucionais" porque "vazaram um diálogo com a presidente da República".

E emendou: "autorizar ele (grampo) é uma violência legal. Vazar diálogos pessoais que não fazem parte do conteúdo da investigação é uma violência, é um padrão que não se deve aceitar, compactuar, padrão de comportamento que atinge a nós todos".

Depois de lembrar que, em privado, as pessoas falam de uma forma mais descontraída, sem se policiar como acontece, quando se está falando em público, a presidente Dilma condenou também o grampo a advogados. 

— É um absurdo violar direito de defesa, grampeando advogado. Uma democracia moderna não compactua com esse tipo de prática — comentou.

Na avaliação da presidente, a decisão de Teori foi importante porque a sociedade brasileira "conquistou a duras penas um processo que nos levou à construção do que temos hoje, que é um país com liberdade de expressão, de manifestação, com instituições sólidas e preservá-las é nosso objetivo".

A presidente não quis comentar a decisão do presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, de fazer delação premiada. As declarações foram dadas em entrevista após visitar as obras de solo de construção do satélite geoestacionário de defesa e comunicações estratégicas que está previsto para ser lançado entre dezembro deste ano e fevereiro do ano que vem. O satélite é o primeiro equipamento totalmente controlado pelo governo brasileiro.

*Estadão Conteúdo

Diário Catarinense  

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