Dilma diz que Lula terá "os poderes necessários" para ajudar o Brasil

Dilma diz que Lula terá

Foto: Roberto Stuckert Filho / Planalto

A presidente Dilma Rousseff afirmou, nesta quarta-feira, que a nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a Casa Civil será um "grande ganho" para o governo federal e destacou que ele terá "os poderes necessários" para ajudar o Brasil. Em pronunciamento oficial, em Brasília, Dilma ressaltou que a medida irá "fortalecer" o Palácio do Planalto e auxiliar na estabilidade fiscal e controle da inflação.

— O presidente Lula, no meu governo, terá os poderes necessários para ajudar o Brasil. Tudo que ele puder fazer para ajudar será feito — declarou.

Na entrevista da tarde desta quarta-feira, Dilma negou que se sinta ofuscada por Lula, que ganha status de primeiro-ministro ao assumir a Casa Civil na vaga de Jaques Wagner.

— A vinda do presidente Lula para o ministério é algo bastante importante e relevante por dois motivos: primeiro a inequívoca experiência política. Segundo que ele tem o conhecimento sobre as necessidades do país. Lula terá compromisso com a estabilidade fiscal e com a inflação — ressaltou.  

A presidente destacou as habilidades do padrinho, um "hábil articulador". A petista garantiu ter uma boa relação com ex-presidente, de quem foi ministra de Minas e Energia e da Casa Civil.

— Tem seis anos que vocês tentam me separar do Lula. A minha relação é uma sólida relação de quem constrói um projeto junto.

Dilma rebateu os comentários da oposição, que critica Lula por uma suposta fuga da Justiça, ao recuperar o foro privilegiado e ficar longe do juiz federal Sergio Moro nas investigações da Operação Lava-Jato. Ela considerou uma afronta ao STF, que tem poder de julgar, condenar e absolver. Para a presidente, o foro não impede que as autoridades sejam investigadas.

— O STF é a Suprema Corte do país. Não é impedir investigação, é fazê-la em determinada instância e não em outra. (...) A troco de quê eu vou achar que a investigação do juiz Sergio Moro é melhor do que a investigação do Supremo? — disse a presidente, que credita as críticas ao fato de que seu governo sai fortalecido com a indicação:

— Não entendo por que quando chega nesse caso criam essa hipótese. Acho que é apenas uma sombrinha, uma proteção ao fato de que a vinda do Lula para o meu governo fortalece o meu governo. E tem gente que não quer que meu governo seja fortalecido. Sinto muito. 

A presidente voltou a criticar a condução coercitiva de Lula e a defendê-lo das acusações sobre o triplex do Guarujá e do sítio de Atibaia.

— Temos o princípio da ficha limpa. Hoje, os critérios de investigação são extremamente estranhos ao presidente. O presidente nega que tenha triplex ou sítio. Ele sempre que foi chamado informou. Acho estranho que ele tenha sido levado coercitivamente ou que tenha sido pedida a preventiva sem base no fato que caracterize isso. Acho que o presidente Lula não é uma pessoa que pode ter sua biografia destruída dessa forma. Mostro confiança nele e no compromisso dele com práticas corretas e idôneas — declarou.  

Mudanças no núcleo econômico

Diante dos rumores de que o governo poderia usar as reservas para ampliar o crédito e destravar obras públicas, a presidente descartou a possibilidade. Ela garantiu que Lula entra no governo com um compromisso de estabilidade fiscal e controle da inflação, que marcaram os dois mandatos do petista.

— As reservas servem de proteção para o Brasil em relação à flutuações. Então, nós jamais teremos uma pauta de uso dessas reservas para algo que não seja proteção do país contra flutuações internacionais.

Dilma ainda negou rumores de mudanças na equipe econômica, como as saídas dos ministros Nelson Barbosa (Fazenda) e Alexandre Tomboni (Banco Central).

— Eles estão mais dentro do que nunca — garantiu.

*Zero Hora

Diário Catarinense 

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