Dilma Rousseff sobre impeachment: "É estarrecedor que um vice conspire contra a presidente"

Dilma Rousseff sobre impeachment:

Foto: Roberto Stuckert Filho / PR

Na primeira manifestação pública depois de a Câmara aprovar a continuidade do processo de impeachment, a presidente Dilma Rouseff afirmou que se sente "injustiçada" e "indignada" pela decisão tomada pelos deputados. A petista destacou que enfrenta um golpe de Estado, acusou o vice Michel Temer de conspirar para tomar seu posto e garantiu que continuará a luta contra sua cassação.

— É estarrecedor que um vice-presidente, no exercício do seu mandato, conspire contra a presidente abertamente. Em nenhuma democracia do mundo, uma pessoa que fizesse isso seria respeitada — disse.

Na coletiva, concedida no Palácio do Planalto, Dilma reforçou que o governo de Temer não terá legitimidade:

— Nenhum governo será legítimo, será um governo em que o povo pode se reconhecer nele, sem ser por obra do voto secreto e direto, numa eleição convocada para este fim. Não se pode chamar de impeachment uma tentativa de eleição indireta.

Dilma descartou a possibilidade de renúncia e garantiu que vai resistir ao processo de impeachment, que chegou ao Senado nesta segunda-feira. A petista disse que não avalia "agora" convocar novas eleições para 2016 e abrir mão de parte do mandato:

— Eu tenho ânimo, força e coragem suficientes para enfrentar, apesar de que com sentimento de muita tristeza, essa injustiça. Eu tenho força, ânimo e coragem, eu não vou me abater, eu não vou me deixar paralisar. Vou continuar lutando, vou lutar como fiz ao longo de toda minha vida.

Dilma lembrou de sua luta contra a ditadura e garantiu que terá a mesma disposição para segurar o mandato.

— Estou tendo meus sonhos torturados. Agora, não vão matar em mim a esperança. Eu sei que a democracia sempre é o lado certo da História. Eu continuarei lutando e vou enfrentar todo o processo. Tenho certeza que nós teremos a oportunidade de nos defender. Ao contrário do que uns anunciaram, não começou o fim. Nós estamos no início da luta — disse.

"Me sinto injustiçada", disse presidente

A presidente afirmou que acompanhou a votação e as manifestações dos deputados no domingo. Ela voltou a comparar sua biografia com a do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), réu na Lava-Jato e condutor do impeachment na Câmara. Ela manteve a acusação de que Cunha aceitou o impeachment em um ato de "vingança" diante da negativa do governo em lhe dar apoio no seu processo por quebra de decoro no Conselho de Ética.

— Não há contra mim acusação de corrupção. Não fui acusada de ter contas no Exterior. Por isso, eu me sinto injustiçada. Aqueles que praticaram atos ilícitos e têm contas no Exterior presidem a sessão sobre uma questão tão grave como o impedimento de um presidente da República — afirmou.

— Eu me sinto injustiçada. Injustiçada porque considero que esse processo não tem base de sustentação. A injustiça sempre ocorre quando se esmaga o processo de defesa, mas também quando, de uma forma absurda, se acusa alguém por algo que não é crime — disse.

A presidente repetiu em sua fala argumentos do ministro da Advocacia-Geral da União, José Eduardo Cardozo. Dilma lembrou que não há crime de responsabilidade nos decretos de crédito suplementar editados em 2015, sem aval do Congresso, e nos atrasos nos pagamentos do Tesouro Nacional ao Banco do Brasil. Ao dizer que tem a "consciência tranquila", ela destacou que todos os atos foram com base em pareces técnicos e que foram adotados por outros presidentes.

— Quando me sinto indignada e injustiçada, é porque a mim se reserva um tratamento que não se reservou a ninguém. Não vi uma discussão sobre o crime de responsabilidade, que é a única maneira de se julgar um presidente da República no Brasil — disse.

A presidente ainda frisou que se sente injustiçada por governar, há um ano e meio, em clima de instabilidade. Para ela, isso é fruto da atuação da oposição no clima de "quanto pior, melhor".

— Há uma violência no Brasil contra a verdade, contra a democracia e contra o Estado democrático de Direito.

Diário Catarinense 

Outras Notícias

PUBLICIDADE