Estratégico, tom de Dilma na ONU frustra militantes petistas

 Estratégico, tom de Dilma na ONU frustra militantes petistas

Foto: Mark Lennihan/Associated Press

O tom do discurso realizado nesta sexta-feira (22) pela presidente Dilma Rousseff na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) frustrou militantes petistas. Mas atendeu à estratégia da cúpula do partido e do governo.

Chamado de protocolar por parlamentares e militantes do PT, o teor do discurso foi discutido na véspera pela presidente e colaboradores.

Segundo petistas, Dilma foi encorajada a dar um caráter de estadista para não ser acusada de fomentar a crise econômica ou de afrontar o STF (Supremo Tribunal Federal).

Aliados da presidente chegam a afirmar que em nenhum momento houve a intenção de denunciar o que chamam de golpe. As críticas à oposição e ao vice-presidente Michel Temer ficariam reservadas a uma entrevista coletiva à imprensa estrangeira.

Para alguns petistas, no entanto, Dilma perdeu uma grande oportunidade de se dizer vítima de golpe e foi aquém das expectativas.

O DISCURSO

A presidente Dilma Rousseff afirmou na Assembleia Geral das Nações Unidas que o país vive um momento "grave"e que os brasileiros saberão impedir "um retrocesso". A afirmação foi feita ao final de seu pronunciamento na cerimônia de assinatura do Acordo do Clima de Paris, na sede da ONU em Nova York.

Sem mencionar a palavra golpe, a presidente concluiu seu pronunciamento centrado no tema climático fazendo um desvio para abordar a crise política no Brasil.

Ela agradeceu ainda "a todos os líderes que expressaram sua solidariedade".

Dilma falou por mais de sete minutos, mais que o dobro de tempo recomendado pela ONU. A maior parte foi dedicada ao Acordo de Paris, que ela classificou como "um marco histórico na construção do mundo que queremos, com um desenvolvimento sustentável". Ela disse ter "orgulho" do papel de seu governo para a adoção do Acordo de Paris e assumiu o compromisso de "assegurar sua pronta entrada em vigor".

Folha de S. Paulo 

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