Governo e oposição trabalham para influenciar na escolha da comissão que vai discutir impeachment

Governo e oposição trabalham para influenciar na escolha da comissão que vai discutir impeachment

Foto: Montagem sobre fotos: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo e Wilson Dias/Agência Brasil

A composição da comissão especial que será instalada na Câmara para discutir o impeachment da presidente Dilma Rousseff é um dos alvos das negociações dos próximos dias em Brasília. Governo e oposição trabalham para influenciar na escolha dos nomes do colegiado, em especial nos partidos com bancadas divididas, como PMDB, PSD, PSB, PTB, PRB e o recém-criado PMB.

Pelas projeções, a comissão deve ter 66 titulares e outros 66 suplentes, número que ainda sofre questionamentos. A comissão deve respeitar a proporcionalidade do tamanho dos partidos na Câmara, ou seja, as bancadas mais numerosas (PMDB, PT e PSDB) ficarão com maior número de representantes no grupo.

— É fundamental para o governo ter maioria na comissão especial — aponta a deputada Maria do Rosário (PT-RS).

 A composição da maioria pró ou contra o andamento do impeachment de Dilma dependerá dos nomes indicados pelos partidos. O PT terá o auxílio do PDT, que já anunciou posição a favor da manutenção do mandato de Dilma, caminho que deve ser seguido por PC do B, PSOL e Rede. Independente, PSB indica uma bancada rachada entre afastar ou segurar a presidente. Na oposição, PSDB, DEM, PPS e Solidariedade fecham um cinturão contra a petista, reforçado por Eduardo Cunha, que carrega maior parte dos nanicos.

— Com certeza vou postular uma vaga na comissão — adianta Onyx Lorenzoni (DEM-RS).

O PMDB, que tem a bancada dividida entre governo e oposição, é considerado vital no desfecho dos trabalhos. Há dúvidas sobre o comportamento de legendas que integram a base, a exemplo de PSD, PR, PP, PRB e PTB, cinco partidos com ministérios no governo Dilma, mas que os líderes são afinados com Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Responsável por aceitar o pedido de impeachment contra Dilma, o presidente da Câmara deve ler nesta quinta-feira em plenário sua decisão e determinar a criação da comissão especial. O grupo terá de se reunir em 48 horas para eleger presidente e relator – há dúvida se o prazo contará em dias úteis ou incluirá o fim de semana.

A escolha de relator e presidente é outra decisão determinante no desfecho do processo de impeachment. É possível que a escolha dos ocupantes dos cargos seja feita em votações por maioria simples, o que provocará novas tensões entre governo e oposição. Os petistas também trabalham para impedir que seus adversários reúnam os 342 votos necessários para afastar Dilma por 180 dias, até a decisão final do Senado.

— Não há menor condição de prosperar um pedido feito sem legitimidade, uma chantagem. É um pedido sem base legal — diz Pepe Vargas (PT-RS).

Diário Catarinense

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