Ideli Salvatti é aguardada na PF para depor na Lava-Jato

Ex-ministra, que está morando nos EUA, deve ser ouvida quando retornar ao Brasil em viagem, o que ainda não tem data para ocorrer.

Com o depoimento de Ideli Salvatti (PT-SC) autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), investigadores que atuam na Operação Lava-Jato esperam que a ex-ministra ajude a esclarecer se o Palácio do Planalto tinha conhecimento dos desvios na Petrobras e se usou o esquema de corrupção para assegurar apoio de partidos políticos no Congresso. A petista não é investigada e deve falar na condição de informante. 

O depoimento foi solicitado pela Polícia Federal, com aval da Procuradoria-Geral da República (PGR), dentro do inquérito 3.989 que tramita no STF e apura as condutas de 39 pessoas de diferentes partidos, como PT, PMDB e PP. Entre os investigados neste inquérito da Lava-Jato aparece o ex-deputado João Pizzolatti (PP-SC). 

Ministra da Secretaria de Relações Institucionais no primeiro mandato de Dilma Rousseff, Ideli respondia pela articulação do Planalto com a base no Congresso. Em junho, ela foi nomeada como secretária de Acesso ao Direito e à Equidade naOrganização dos Estados Americanos (OEA) em Washington. 

Petista foi citada por conflito com o PP

A petista teve o nome citado pelo doleiro Alberto Youssef na descrição do conflito interno do PP que levou à troca do comando do Ministério das Cidades, em fevereiro de 2012. Por trás da disputa dos grupos de Mário Negromonte (PP-BA) e Ciro Nogueira (PP-PI) pelo controle da bancada do PP estaria a prerrogativa de receber os recursos desviados na Diretoria de Abastecimento da Petrobras, ocupada por Paulo Roberto Costa. Ministro das Cidades, Negromonte foi substituído por Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), aliado de Ciro.

Segundo Youssef, o conflito do partido chegou ao conhecimento de Ideli, então ministra das Relações Institucionais, e de Gilberto Carvalho, que era ministro da Secretaria-Geral da Presidência, e também teve o depoimento autorizado pelo Supremo. O doleiro relatou que Paulo Roberto teria dito em reuniões com líderes do PP que necessitava de uma indicação do Planalto para saber qual grupo da sigla deveria receber o dinheiro da estatal. O ex-diretor negou em depoimento que tenha tratado do assunto com Ideli e Carvalho. Youssef ainda disse que o deputado Nelson Meurer (PP-PR) e Negromonte teriam afirmado que se reuniram com os ministros para discutir o tema.

Por que ouvir Ideli:

Ideli foi citada em depoimento do doleiro Alberto Youssef. Os investigadores da Lava-Jato acreditam que ela pode esclarecer se o Palácio do Planalto tinha conhecimento e se beneficiava do esquema de corrupção na Petrobras. O doleiro disse que a petista, então ministra da Secretaria de Relações Institucionais, foi informada sobre um conflito no PP relacionado à Petrobras. Ex-titular da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho também teria conhecimento da disputa.

Os grupos do ex-ministro Mário Negromonte (PP-BA) e do senador Ciro Nogueira (PP-PI) disputavam a hegemonia da bancada do PP e os destino dos recursos desviados da estatal. A briga interna levou a saída de Negromonte do Ministério das Cidades, em 2012, substituído por Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), integrante do grupo de Ciro Nogueira. Youssef relatou que o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, afirmou em reunião com lideranças do PP que aguardava a indicação do Planalto sobre qual grupo receberia o dinheiro. Paulo Roberto negou ter falado sobre o tema com Ideli. Youssef também disse que Negromonte e o deputado Nelson Meurer (PP-PR) relataram que trataram do assunto com a ex-ministra.

Em relatório, a PF considerou "plausível" que Ideli e Carvalho tenham tratado do disputa do PP. Ideli, no caso, respondia pela articulação do governo com o Congresso. A polícia quer saber se a troca do comando do Ministério das Cidades teve relação com a corrupção na Petrobras. A investigação tenta identificar se Ideli sabia dos desvios e se anuiu com o esquema em troca do apoio do PP ao governo.

Lula será ouvido no mesmo inquérito

No relatório em que solicitou o depoimento de Ideli, a PF considerou plausível que a catarinense tenha participado das conversas com o PP em virtude da função que exercia no governo. A investigação pretende apurar se a troca nas Cidades ocorreu com o conhecimento de Ideli e Carvalho sobre o esquema na Petrobras e se "eles com o mesmo anuíram em troco do apoio político do Partido Progressista, integrante da base aliada do governo". 

A PF sustenta no documento que é necessário ouvir os ex-ministros para que eles apresentem suas versões. Neste mesmo inquérito prestarão depoimentos o ex-presidente Lula, o ex-ministro José Dirceu, o ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli, o presidente do PT, Rui Falcão, e José Fillipi Jr, tesoureiro de campanhas de Lula e Dilma. Ministro-relator do caso no STF, Teori Zavascki autorizou os depoimentos dos petistas na condição de informantes. Investigadores interpretam que eles serão ouvidos como testemunhas, ou seja, terão de falar a verdade, porém com o direito ao silêncio. 

No caso de Ideli, PF e PGR discutem a melhor forma de ouvi-la, já que em junho ela foi indicada para o cargo Organização dos Estados Americanos (OEA) e se mudou para os Estados Unidos. A tendência é de que aguardem uma viagem da catarinense ao Brasil.

Procurada pelo Diário Catarinense, Ideli informou por meio de sua assessoria que aguarda ser notificada pela Justiça e "está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos".

Diário Catarinense 

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