PF quer que Ideli responda se sabia de esquema de propina na Petrobras

Depoimento foi solicitado ao STF junto ao de outros ex-ministros e o ex-presidente Lula

PF quer que Ideli responda se sabia de esquema de propina na Petrobras

A ex-ministra Ideli Salvatti (PT) (Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS)

A Polícia Federal quer que a ex-ministra e ex-senadora catarinense Ideli Salvatti (PT) esclareça em depoimento as afirmações do delator Alberto Yousseff de que teria conhecimento do esquema de propina na Petrobras em benefício do PP, investigado na Operação Lava-Jato. Ela integra a lista apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF) em que o delegado Josélio Azevedo de Sousa também requer depoimentos de outros ex-ministros e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

De acordo com a delação premiada do doleiro Alberto Yousseff, a petista catarinense participou de uma reunião com o objetivo de definir qual grupo político do PP ficaria com o comando do Ministério das Cidades. Na época, Ideli Salvatti ocupava a Secretaria de Relações Institucionais, responsável pela articulação política do governo federal com o Congresso e dois grupos pepistas disputavam o controle do ministério. O episódio resultou na substituição de Mario Negromonte (PP) por Agnaldo Ribeiro (PP).

Yousseff afirmou que o deputado federal Nelson Meurer (PP), um dos investigados na Operação Lava-Jato por participação no suposto esquema, teria dito em conversa telefônica que o grupo a qual pertencia teria conseguido apoio junto ao Palácio do Planalto para retomar o comando da pasta após a reunião com Ideli e Gilberto Carvalho, então ministro da Secretaria Geral da Presidência. A mesma reunião teria sido citada a Yousseff pelo então ministro Negromonte.

Ambos teriam dito ao doleiro que o tema Petrobras fez parte da conversa. O delator ressaltou que "quando se refere ao tema Petrobras, obviamente, esta se referindo ao esquema de distribuição de vantagens indevidas a parlamentares do PP". A presença do ex-deputado federal catarinense João Pizzolatti (PP) na reunião também foi relatada. Investigado na Lava-Jato, ele faria parte do grupo de pepistas beneficiados pelas propinas obtidas em contratos da estatal.

O pedido assinado pelo delegado Josélio Azevedo de Sousa justifica o pedido de depoimento de Ideli pela necessidade de "buscar elementos que demonstrem ou excluam a possibilidade de que a troca promovida pelo governo federal se deu com a ciência, por parte dos ministros citados, do esquema de corrupção na Petrobras e se eles com o mesmo anuíram em troca de apoio político" do PP no Congresso.

Procurada pela reportagem, Ideli Salvatti informou, através de assessoria, que não se manifestaria sobre o pedido da PF ao STF para que preste depoimento sobre o assunto. A petista deixou o governo federal em abril deste ano, quando foi substituída na Secretaria de Direitos Humanos por Pepe Vargas (PT-RS). Em julho, assumiu o cargo de secretária de Acesso a Direitos e Equidade na Organização dos Estados Americanos (OEA) em Washington, Estados Unidos. Antes de partir, concedeu entrevista ao jornal Diário Catarinense, quando negou que tivesse conhecimento dos esquemas de propina na Petrobras e criticou a delação premiada para Yousseff.

— Eu ocupava um cargo em que eu me relacionava com todos os partidos. Eu era ministra das Relações Institucionais da presidenta Dilma. Daí fazer ilação de que eu conhecia, eu conhecia, eu isso. Outra coisa inadmissível é que o Yousseff não poderia fazer delação premiada nenhuma, porque fez na questão do Banestado e mentiu — afirmou a ex-ministra na época.

Diário Catarinense 

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