PR tira Jorginho Mello da titularidade da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara

Ele e mais um deputado foram para suplência, numa manobra que pode favorecer Eduardo Cunha na votação sobre sua cassação.

PR tira Jorginho Mello da titularidade da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara

Foto: Fabian Lemos / Divulgação

O deputado federal por Santa Catarina Jorginho Mello não é mais um representante titular do seu partido, o PR, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. Ele e Paulo Freire (PR-SP) foram para a suplência nesta quarta-feira. Já os suplentes Laerte Bessa (PR-DF) e Wellington Roberto (PR-PB) passaram a ocupar as vagas de titulares.

A prática já é comum nos últimos meses no Conselho de Ética, onde a formação dos colegiados pode ser decisiva para aprovação ou não de proposições. Agora, de olho na consulta formulada pelo presidente interino da Casa, Waldir Maranhão (PP-MA), que pode alterar o rito de votação do processo de cassação do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o PR resolveu alterara a composição de seus representantes no colegiado da CCJ.

As mudanças causaram surpresa e revolta no plenário da CCJ. 

– Isso é um precedente inédito muito grave. Cheira mal – protestou Jorginho Mello, que reclamou de ter sido substituído sem consulta prévia.

Em sua página no Facebook, pouco depois, o deputado catarinenses denunciou o que chama de "manobra do senhor Eduardo Cunha":

A deputada Clarissa Garotinho (PR-RJ), que está de licença maternidade e era suplente, foi substituída pelo deputado João Carlos Bacelar (PR-BA). Bessa, Wellington e Bacelar são membros do Conselho de Ética e integram a tropa de choque de Eduardo Cunha no colegiado.

O deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) apontou que a CCJ passa agora pelo "espetáculo da troca de membros". 

– O Congresso brasileiro nunca esteve tão baixo – afirmou.

O petista Wadih Damous (RJ) chamou a mudança de "manobra espúria" e disse que, se o parlamento não tomar providências, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Ministério Público agirão. 

– Se não assumirmos aquilo para o qual fomos eleitos, outros o farão – disse.

Parecer será lido na sessão de quinta-feira

O parecer do deputado Arthur Lira (PP-AL) sobre a consulta de Maranhão só será lido na CCJ na sessão desta quinta-feira. Nesta quarta, Lira protestou contra a obstrução dos partidos que não querem discutir o assunto e pregam que não haja mudança no rito de votação de processo disciplinar no plenário. 

– Não se pode negar a discutir qualquer tema – reclamou.

Um dos partidos que declararam obstrução à discussão e votação do parecer de Lira é o DEM. 

– Essa matéria não atende aos interesses da Casa – justificou o líder da bancada, Pauderney Avelino (AM).

Jornal de Santa Catarina 

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