PT reconhece erros cometidos nos 13 anos em que esteve à frente do Brasil

Um deles seria ter se deixado "contaminar" pelo financiamento empresarial de campanha.

PT reconhece erros cometidos nos 13 anos em que esteve à frente do Brasil

Presidente do PT, Rui Falcão (Foto: Roni Rigon / Agencia RBS)

O PT divulgou na noite desta terça-feira duas resoluções do partido após reunião de seu Diretório Nacional, ocorrida à tarde, em Brasília. Uma das resoluções trata do cenário político atual, no qual Dilma Rousseff responde a um processo de impeachment está afastada do governo; e com o PT, de volta à oposição, não tendo reunido força suficiente para deter o processo.

Além de criticar a postura do PMDB e do presidente interino Michel Temer, a quem acusam de dar um "golpe" político em Dilma para assumir o poder, o partido disse que cometeu falhas durante os cerca de 13 anos de governos petistas. Um desses erros, segundo a legenda, foi se deixar "contaminar" pelo financiamento empresarial de campanha e o que chamam de "prática dos partidos tradicionais", sem citar diretamente o envolvimento de petistas em esquemas de corrupção.

"Fomos contaminados pelo financiamento empresarial de campanhas, estrutura celular de como as classes dominantes se articulam com o Estado, formando suas próprias bancadas corporativas e controlando governos. Preservada essa condição, mesmo após nossa vitória eleitoral de 2002, terminamos envolvidos em práticas dos partidos políticos tradicionais, o que claramente afetou negativamente nossa imagem e abriu flancos para ataques de aparatos judiciais controlados pela direita", diz um trecho resolução.

Movimentos sociais

O PT também disse não ter priorizado as alianças com movimentos sociais e o que chama de "partidos populares". O partido se disse "refém de acordos táticos" para conseguir administrar o país:

"Tampouco nos dedicamos, com a devida atenção e perseverança, a costurar uma aliança estratégica entre os partidos populares e os movimentos sociais, que pudesse ampliar o peso institucional da esquerda. Acabamos reféns de acordos táticos, imperiosos para o manejo do Estado, mas que resultaram num baixo e pouco enraizamento das forças progressistas", afirmou no documento.

A segunda resolução diz respeito às eleições municipais de 2016. Nela, o partido se compromete a não fazer aliança com políticos que apoiaram a abertura do processo de impeachment de Dilma ou mesmo tenham votado nesse sentido no Congresso Nacional.

O Diretório Nacional determinou que as alianças eleitorais nos municípios só poderão ser confirmadas na Justiça Federal após aprovação das direções estaduais. No caso de "cidades prioritárias", a confirmação será dada pela direção nacional.

Após a reunião, mas antes da divulgação oficial das resoluções, o presidente do partido, Rui Falcão, concedeu entrevista coletiva e disse que o PT vai priorizar alianças com partidos de esquerda como o PCdoB e PDT, justamente os que se opuseram ao impeachment de Dilma. Alianças com outros partidos, como o próprio PMDB, no entanto, não estão descartadas.

— O PMDB é um partido enorme, teve uma participação na luta democrática no passado. Certamente que, Brasil afora, deve ter pessoas confiáveis (no PMDB). Se alguém do PMDB quiser participar conosco e não tenha apoiado o impeachment, priorize programas sociais e combata a corrupção, não vejo problema nenhum — disse Rui Falcão.

Jornal de Santa Catarina 

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