Relatório favorável ao impeachment de Dilma é aprovado em comissão e segue para o plenário do Senado

Relatório favorável ao impeachment de Dilma é aprovado em comissão e segue para o plenário do Senado

Foto: Geraldo Magela / Agência Senado

Em sessão marcada por bate-boca, choro e até pela troca da campainha da sala, a comissão de impeachment do Senado disse "sim" à abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, às 13h17min desta sexta-feira.

A votação do parecer do relator, Antonio Anastasia (PSDB-MG), transcorreu sem surpresas: foram 15 votos favoráveis e apenas cinco contrários à admissibilidade, conforme as previsões iniciais.

Marcada para as 10h, a reunião começou com 24 minutos de atraso e foi suspensa logo depois, por motivo inusitado, em momento de ânimos exaltados.

Ao microfone, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) fez críticas a uma postagem de Lindbergh Farias (PT-RJ) no Facebook. Segundo ele, o petista teria atribuído frase ao presidente do PSDB, Aécio Neves (MG), que não seria de sua autoria. Lindbergh reagiu, respondendo que o texto tratava de direitos de trabalhadores, e reforçou as críticas. A discussão irritou o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), que entrou no debate:

— É uma infâmia, uma mentira. O senhor vai responder no Conselho de Ética por isso.

Lindbergh retrucou:

— É infâmia dizer que Michel Temer e Aécio Neves querem retirar direitos? Está no Ponte Para o Futuro (programa de governo do PMDB).

Sem sucesso, o presidente da comissão, Raimundo Lira (PMDB-PB) tentou assegurar a palavra a Lindbergh, para que concluísse sua fala, acionando a campainha várias vezes. O som do aparelho, semelhante ao das sinetas escolares, incomodou Lira, que decidiu paralisar a sessão por cinco minutos para a troca do equipamento.

— Essa campainha não está à altura do momento histórico que estamos vivendo — disse Lira.

Em seguida, funcionários vestindo uniformes azuis chegaram ao local com uma escada. Diante de dezenas de jornalistas e do silêncio constrangedor, substituíram a campainha por outra.

Em meio à troca, a senadora Rose de Lira (PMDB-ES) chegou a se sentir mal, e uma equipe médica foi acionada. Acabou ficando do lado de fora.

— Nos chamaram, mas parece que está tudo bem — disse um dos socorristas.

Somente cerca de 10 minutos depois, a discussão foi retomada. A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) pediu a suspensão do processo, alegando que as decisões tomadas pelo ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afastado de suas funções pelo Supremo Tribunal Federal, seriam nulas. Não conseguiu.

Os líderes partidários e de blocos receberam então cinco minutos para se manifestar e orientar os votos de seus senadores. A primeira a falar foi Ana Amélia Lemos (PP), uma das primeiras a chegar ao local, sentada na primeira fila.

— Devemos ter a compreensão histórica desse momento, do papel constitucional que nos cabe. O rito foi consagrado pelo STF, garantindo direitos de defesa. A Constituição é a nossa Bíblia — disse a gaúcha.

Na sequência, outros oito líderes reivindicaram a saída da presidente Dilma e atacaram o governo petista. José Medeiros (PSD-MT), afirmou que "as pilastras da democracia ficam mais fortes" com a admissibilidade do impeachment, porque "a democracia não é petista". Eduardo Amorim (PSC-SE) disse esperar que ¿nunca mais tenhamos pedaladas fiscais¿. Ronaldo Caiado (DEM-GO) ressaltou que, ao reivindicar o afastamento da presidente, o Senado não quer "criminalizar gestores":

— O que esta casa está mostrando é que os novos gerentes, sejam eles da esfera municipal, estadual ou federal, terão de ter compromisso com a verdade, com a lei orçamentária.

Em defesa de Dilma, Gleisi afirmou que os argumentos pelo impeachment são insuficientes para definir crime de responsabilidade.

— É como se déssemos uma pena de morte a um acidente de trânsito — ponderou Gleisi.

Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) reforçou o discurso de que há um golpe em curso no Brasil, Lindbergh Farias (PT-RJ) se emocionou ao afirmar que Dilma será absolvida pela história e Humberto Costa (PT-PE), um dos mais exaltados, acusou os adversários de tentarem chegar ao poder sem votos.

– Esse é um processo viciado. Espanta que nenhum partido de oposição tenha se manifestado sobre a decisão do STF sobre Cunha. Não estaríamos aqui se não fosse pelo Cunha. Estamos banalizando o processo de impedimento. Esse processo é unicamente político. Não há crime. O relator faz um contorcionismo jurídico — afirmou Costa.

Ao final das manifestações, Anastasia declarou que já sabia que seria alvo de "muitos ataques" e garantiu ter a "consciência tranquila".

Em seguida, teve início a votação, que levou menos de cinco minutos, porque foi feita via painel eletrônico. Quando o resultado apareceu na tela, senadores pró-impeachment bateram palmas e trocaram abraços e apertos de mão. Agora, caberá ao plenário do Senado dar a palavra final sobre o tema. A expectativa é de que a votação ocorra na próxima quarta-feira.

*Zero Hora

Diário Catarinense 

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