Senadores aliados também dizem a Dilma que 'será difícil' aprovar pacote

Assim como ocorreu com deputados da base do governo, que criticaram o pacote de ajuste apresentado pelo Palácio do Planalto como forma de reequilibrar as contas da União, senadores aliados relataram à presidente Dilma Rousseff as dificuldades de aprovar medidas como a recriação da CPMF.

Após reunião entre dez senadores da base, quatro ministros e Dilma nesta terça-feira (15), o líder do governo do PT no Senado, Humberto Costa (PE), disse que "é difícil aprovar uma medida como esta" mesmo quando o governo está diante de uma boa situação política e social. "Nesse momento a dificuldade existe de fato", declarou.

"Quando o governo está bem, com uma base social forte e uma base parlamentar forte, é difícil aprovar uma medida como essa [a nova CPMF, que será provisória, segundo o governo, e destinada à Previdência]. Imagina num momento como esse, que estamos passando por dificuldades', disse o senador petista.

"Naturalmente colocamos as dificuldades que há para que algumas propostas sejam aprovadas, especialmente na Câmara e, por se tratarem, algumas delas, de PEC. Foi feito um balanço realista e vamos continuar a discussão com o governo", completou Costa.

O senador afirmou ainda que "o plano A" do governo deveria ser aprovar a repatriação de recursos no exterior que, segundo ele, traria dinheiro à União que "poderia até eliminar a possibilidade de algumas dessas medidas mais duras" e ajudar no Orçamento do ano que vem, apresentando pelo Executivo com déficit de R$ 30,5 bilhões.

Segundo o líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT-MS), Dilma tem a "noção clara de que será difícil aprovar" a CPMF no Congresso. "Ela sabe que será difícil mas senti claramente que ela está diretamente empenhada para fazer as costuras. [...] Ela está determinada e focada nessa agenda", disse.

De acordo com ele, a presidente entende que as negociações terão que ser feitas na base do diálogo. "Isso é barriga no balcão e conversa. Não tem outra saída", disse.

O senador também reiterou a preocupação dos seus colegas em relação à tramitação das medidas, principalmente, na Câmara. "Se a gente falasse que era fácil, a gente não estaria falando a verdade. A gente tem a noção nítida do que vamos enfrentar", disse.

ARTICULAÇÃO

A avaliação dos principais aliados de Dilma e de ministros do núcleo político do governo é que a presidente "errou no método" ao anunciar cortes em programas sem antes comunicar presidentes de partidos, líderes da base e de movimentos sociais.

Agora, defendem, é preciso alguém "com peso político e poder na caneta" para negociar com o Congresso e conseguir a aprovação do pacote.

A tendência é que essa função se concentre em Giles Azevedo, assessor especial e homem de confiança da presidente, que pode ser nomeado secretário-executivo da SRI (Secretaria de Relações Institucionais).

No entanto, ponderam alguns petistas, seria melhor que o trabalho de articulador político fosse feito por um ministro, mas não Alozio Mercadante (Casa Civil), que tem se desgastado na função de negociador com o Legislativo.

Folha de S. Paulo

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