Temer admite não ter apoio popular, mas reafirma legitimidade de seu governo

Temer admite não ter apoio popular, mas reafirma legitimidade de seu governo

Foto: TV Globo / Reprodução

O presidente interino da República, Michel Temer (PMDB), admitiu, em entrevista exibida neste domingo pelo Fantástico, da TV Globo, que não conta com "inserção popular", mas reafirmou que tem legitimidade para governar o país em substituição à presidente afastada Dilma Rousseff, em meio ao processo de impeachment.

No Palácio do Jaburu, em Brasília, o peemedebista falou sobre diversos temas polêmicos: falta de mulheres no comando de ministérios, ministros citados na Lava-Jato e sua falta de popularidade foram assuntos abordados na conversa. Veja abaixo os principais pontos da entrevista:

O grande desafio

Para Temer, o desafio que tira seu sono é fazer o Brasil se equilibrar economicamente, eticamente e politicamente.

— Precisamos de pacificação e unidade nacional. Tenho pregado a unificação do país, um esforço conjunto da sociedade brasileira.

Sobre o apoio da população

O presidente interino reconheceu que tem legitimidade constitucional, mas não tem apoio popular. 

— Olha, eu tenho uma legitimidade constitucional. Porque constitucionalmente, se a presidente se afasta, quem assume é o vice-presidente. (...) Fui eleito juntamente com a senhora presidente. Os votos que ela recebeu, eu também os recebi. Aliás, no painel da votação, estava a foto da senhora candidata a presidente e do candidato a vice-presidente. (...) Mas eu reconheço que não tenho esta inserção popular, que só ganharei ou só terei se (...) eu produzir efeito benéfico para o país. Eu acredito, tenho a esperança, que nós conseguiremos.

Programas sociais e corte de gastos

Segundo Temer, não haverá cortes em programas sociais. O presidente interino afirmou que, se necessário, fará cortes em outras áreas.

— Não podemos abandonar quem tem dificuldade até de vivência e sobrevivência. Já eliminamos vários ministérios, e estamos levantando o panorama administrativo para eliminar cargos comissionados. Eu penso que entre quatro a cinco cargos comissionados, e isso significa redução de despesas.

Escolha dos ministros

— Eu tive que fazer uma composição de natureza política —, afirmou Temer sobre a definição dos nomes. Ele ressaltou que escolheu os melhores nomes para o governo e, se o ministro não proceder adequadamente, estará fora do ministério.

— Se houver irregularidades administrativas, eu demito o ministro — destacou.

Falta de mulheres

Temer contestou quem acusa seu governo de não ter representatividade feminina.

— Um dos cargos mais importantes é a chefia de gabinete da presidência, ocupada por uma mulher.

O presidente interino disse que quer indicar mulheres para atuar nas áreas de cultura, ciências, tecnologia e igualdade racial, e minimizou o fato de que nenhuma mulher ocupa cargos no primeiro escalão.

— Há pessoas que se seduzem com a história de ser ministro ou não. O rótulo ministro não vai fazer com que a pessoa haja bem ou não.

Ministros investigados na Lava-Jato

Questionado sobre a indicação de ministros envolvidos na Lava-Jato, Temer citou nominalmente Romero Jucá e afirmou que o responsável pela pasta do Planejamento "não pode ter morte civil" por ser investigado pela força-tarefa. Se virar réu, o presidente interino prometeu "examinar a situação".

Cunha deveria renunciar?

Temer afirmou que um poder não deve interferir no outro. Por isso, não quer comentar a situação de Eduardo Cunha no Legislativo.

— A renúncia dele tanto faz, pra mim não altera nada — disse na entrevista.

Reeleição

O presidente interino afirmou que não pretende concorrer à reeleição.

— Estou negando a possibilidade — destacou.

Diário Catarinense 

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