Contra o zika vírus, país reforça cuidados na doação de sangue

Contra o zika vírus, país reforça cuidados na doação de sangue

Foto: Ronald Mendes / Agencia RBS

Com a confirmação do primeiro caso de transmissão do zika vírus em uma transfusão de sangue, em Campinas, São Paulo, aumenta a preocupação de que casos semelhantes ocorram em outros locais do Brasil. Em Santa Catarina, o Hemocentro de Santa Catarina (Hemosc) garante que já segue as orientações do Ministério da Saúde e todos os protocolos para evitar que a situação se repita no Estado.

As perguntas são feitas durante a triagem realizada com todos os doadores. E o Ministério da Saúde destaca que não são novas orientações. O protocolo é o mesmo da dengue, doença mais comum no país, e da chikungunya — que também são transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti —, mas sua necessidade está sendo reforçada junto aos órgãos públicos envolvidos no processo.

Todos os doadores de sangue também são lembrados que devem contactar o Hemosc caso desenvolvam sintomas semelhantes aos das doenças nos dias logo após a doação. A medida de segurança, que envolve descartar a bolsa coletada, ajuda a evitar transmissões acidentais.

Hoje o sangue doado nos postos de coleta de todo o Brasil passa por sete testes: tipo sanguíneo, sorologia e NAT (teste do ácido nucleico) para hepatite C e HIV (vírus da Aids), sorologia para hepatite B, doença de Chagas, sífilis, e HTLV, um vírus associado a um tipo raro de leucemia.

De acordo com a assessoria do Ministério da Saúde, não há um teste comercial que possa ser feito em larga escala no sangue para identificar se está contaminado com o vírus zika, como seria o caso ao ser aplicado em todas as doações de sangue.

O caso de Campinas

O Hemocentro da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) confirmou caso de transmissão do vírus zika por transfusão de sangue. O caso ocorreu em março deste ano.  Sem saber que estava infectado, um morador de Sumaré (cidade que fica a cerca de 120 quilômetros da capital paulista) doou sangue no hemocentro de Campinas. Alguns dias após a doação, o homem, de 52 anos, notou o aparecimento de sintomas semelhantes aos da dengue e entrou em contato com o local da doação.

O órgão enviou amostras de sangue do doador para o Instituto Adolfo Lutz, que descartou dengue, mas confirmou a presença do vírus zika. O morador de Sumaré foi o primeiro caso confirmado do vírus no estado de São Paulo.

O receptor da doação, que é um morador de Campinas (interior de São Paulo), passou por exames que constataram a presença do vírus, mas não chegou a desenvolver a doença.

Em comunicado, o Ministério da Saúde disse que "embora ainda não esteja registrada em estudo científico, a descrição [do caso em Campinas] está entre as diversas investigações em andamento sobre o comportamento do vírus. Nesse caso, por exemplo, o paciente receptor não desenvolveu a doença. Assim, deve ser avaliada a capacidade de infecção do vírus por transmissão sanguínea, além dos procedimentos de hemovigilância que devem ser adotados conforme os novos achados". 

* Com informações da Agência Brasil

Diário Catarinense 

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