Espírito Santo: em 4 dias de paralisação de PMs, 87 mortes violentas e 270 lojas são saqueadas

Espírito Santo: em 4 dias de paralisação de PMs, 87 mortes violentas e 270 lojas são saqueadas

Exército tem feito patrulhamento das ruas (Foto: GILSON BORBA / FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO)

No quinto dia de paralisação da Polícia Militar no Espírito Santo, o movimento ainda era pequeno nas ruas de Vitória na manhã desta quarta-feira. Com o transporte público e as aulas suspensos, poucas pessoas são vistas nas calçadas. Assustadas com a violência, as famílias preferem se trancar em suas casas. De acordo com o portal G1, o Sindicato dos Policiais Civis do Estado contabilizou 87 mortes violentas. 

A Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) ainda não divulgou balanço, mas em entrevista coletiva publicada ao vivo na página do governo do Estado no Facebook o secretário da pasta, André Garcia, afirmou que "todas as mortes estão na conta" do governo e que o foco agora é "resolver o problema". Garcia afirmou ainda que quando as Forças Armadas passaram a patrulhar as ruas, "as ocorrências despencaram".

O patrulhamento na capital capixaba, que desde a noite de segunda-feira, 6, é feito por soldados do Exército, também é reduzido. O comércio na cidade vai sendo retomado aos poucos. A Federação do Comércio avalia o prejuízo em pelo menos R$ 110 milhões (R$ 20 milhões de saques e R$ 90 milhões em vendas perdidas). Ao todo 270 lojas foram roubadas nos quatro primeiros dias de paralisação.

Por meio de suas famílias, os PMs continuam tentando negociar com o governo a volta ao trabalho. Nesta quarta deve haver nova reunião entre as partes. O governo sustenta que não vai negociar enquanto os policiais não voltarem a seus postos.

O Ministério Público Estadual constituiu nesta terça-feira um comitê de gestão de crise para garantir o cumprimento voluntário da decisão judicial sobre a greve. A Justiça capixaba já considerou a paralisação ilegal.

A categoria reivindica reajuste salarial e denuncia falta de pagamento de auxílio-alimentação, adicional noturno e por periculosidade, além de más condições da frota de veículos empregada no patrulhamento. Familiares de PMs seguem posicionados na frente de batalhões na Grande Vitória e em cidades do interior para impedir a saída dos PMs e de carros.

A sensação de insegurança é grande, e os cidadãos se dizem reféns dos criminosos. O número oficial de mortos supera 75 desde o início do movimento. Nas redes sociais, há relatos de vizinhos que contrataram segurança armada para seus prédios, como forma de afastar assaltantes.

Por Estadão Conteúdo e Zero Hora 

Diário Catarinense 

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