"Vamos priorizar ações voltadas à juventude", diz secretário Pavan sobre atuação na área esportiva

Foto: Marco Favero / Agencia RBS

Ex-governador de Santa Catarina, Leonel Pavan assumiu nesta semana um desafio inédito em sua carreira política. Foi empossado como secretário de Estado de Turismo, Cultura e Esporte. Mesmo sendo um nome ligado à área do turismo, o tucano garante que não vai deixar o esporte de lado. Sua prioridade vai ser manutenção dos Jogos Abertos e de outras competições estaduais anuais, em especial aquelas que envolvam a juventude. Tudo isso mesmo com um corte drástico de recursos na pasta: serão 40% a menos em 2017. 

Pavan também não se esquivou das polêmicas. Disse não ver constrangimento na indicação de Erivaldo Caetano Júnior, o Vadinho, à presidência da Fesporte, embora o seu aliado político responda a dois processos de improbidade administrativa. Em pouco mais de 40 minutos de entrevista, ele falou sobre o que pensa do esporte e sobre seu estilo de gestão. 

O seu nome é fortemente ligado à área do turismo. Tem alguma familiaridade com os esportes?

Eu participava dos Jogos Abertos quando jovem. Era atleta de atletismo. A minha familiaridade é escolar e prática. Quando eu fui governador, ajudamos a implantar muitos desses jogos que estão em atividade e contribuir para que tivessem sucesso. Temos uma ligação (com o esporte), sim. 

Qual a importância que o esporte terá em sua gestão?

A atividade esportiva é saúde. A prática interage dentro da família. Você precisa oferecer ao adolescente e ao jovem atividades culturais e desportivas para que ele possa estar envolvido com algo saudável.   O esporte é talvez o meio mais democrático e importante para as pessoas interagirem. Esporte é amizade e saúde. É fundamental.   

Quais serão as suas prioridades para o esporte à frente da SOL?

Nós temos alguns projetos que já são quase que obrigados a serem realizados. Se nós tivermos condições, pretendemos colocar em prática todos os projetos que estão em andamento ou foram paralisados. Os Jogos Abertos  de Santa Catarina (JASC) serão em Chapecó nesse ano. No ano passado eles não aconteceram em função  dos problemas em Tubarão (tsunami meteorológico). Queremos fazer um dos melhores JASC da história, até porque Chapecó completa 100 anos.  Mas temos também o Parajasc (jogos paradesportivos), que devem começar em maio. Temos o JAST (jogos Abertos da Terceira Idade), em junho. A maioria dos jogos ocorrerá em junho. Temos os Jogos Escolares, o Moleque Bom de Bola (ambos também em junho). Os Joguinhos Abertos serão em julho e os Jogos da Juventude Catarinense, em agosto. Tem também o Parajesc. São alguns projetos que já existem, mas alguns estavam com problemas. Vamos levar todas essas atividades para o Conselho (Estadual do Esporte), que terá que aprovar. Houve um corte de mais de 40% do orçamento da SOL, mas vamos defender essas atividades porque são fundamentais para as pessoas. É o primeiro alicerce da juventude. 

Como vai lidar com essa dificuldade financeira?

Aí que está o problema. A secretaria já sofreu o corte, passou na Assembleia Legislativa no ano passado. Saúde, segurança e educação são áreas imexíveis, mas as demais secretarias sofreram cortes. Vamos priorizar aquilo que envolva mais a juventude. Já recebi nesses dias cerca de 40 projetos que envolvem municípios e regiões do Estado, mas só a Volvo (Ocean Race) e os Jogos Abertos já encerram o orçamento (do ano). Temos que priorizar e tentar fazer com que o governo destine um recurso maior para que a secretaria, nesse momento, dê um salto de qualidade. 

Todos os projetos que o senhor citou serão disputados?

Nós vamos discutir com o Conselho Estadual (do Esporte), daqui a pouco mais de dez dias, e verificar as prioridades para definir, e não deixar para dizer que não tem condições na última hora. Vamos definir agora. Chamar a Fesporte, a área da cultura, o governador. Não basta dizer que vamos fazer. Tem que oferecer algo que possa atender os anseios dessa juventude. 

Qual a sua opinião sobre o fato de os Jasc serem anuais? Há pessoas a favor e outras contra..

Tem a proposta de se fazer de dois em dois anos. Eu prefiro manter anualmente, mas não vamos decidir só pela minha cabeça. Tem que ter um processo de discussão amplo, verificar esse momento de crise que estamos passando. O fato é que esse ano vão acontecer os Jogos. Quero deixar essa digital muito importante. Quando eu participava dos Jogos Abertos, nós ficávamos o ano todo buscando índice para competir. No atletismo você tinha que conseguir o índiec na regional  para então ir aos Jogos Abertos. E era uma alegria quando chegava a época, muito emotivo. Fico imaginando todos esses atletas que querem representar e defender as cores do seu município,     

Em relação aos Jogos Escolares, o senhor defende que eles continuem sob o guarda-chuva da Sol ou sejam repassados à Educação?

Essa é uma discussão que precisamos avançar.  A SOL acaba interferindo no calendário escolar. Falei com o Vadinho (futuro presidente da Fesporte) e não sei se dá tempo para mudar nesse ano. Temos que tocar como está aí. Mas tem que se rediscutir isso para que uma secretaria não precise decidir em cima da outra. 

O senhor ainda não tem uma opinião?

Se eu disser que a minha opinião é a que vale, então a reunião se dispersa. Temos que levar para um debate.  Se você vai com a opinião formada, acaba enfraquecendo o debate, que é fundamental para se rediscutir tudo isso. Tem que chamar todo mundo: Educação, Fesporte. Discutindo se acha novos caminhos. 

A indicação do Vadinho para a Fesporte (ele assume no dia 31 de janeiro) gerou resistência entre parte da funcionários da Fundação. Como você vê essa questão?

A indicação foi feita pelo meu partido (PSDB). Eu fiz a indicação. O Vadinho foi chefe da Casa Civil quando fui governador, é um homem de extrema confiança. A minha indicação para o turismo também não agradou muitos cargos de confiança que estavam lá dentro, até porque sabiam que seriam substituídos. São novas ideias.. Mas o Vadinho é um homem do bem. Tem conhecimento e é competente. Faz parte da minha equipe. A indicação do Rodolfo Pinto da Luz (para presidente da Federação Catarinense de Cultura) partiu do governador e uma pessoa como ele é inquestionável. Até agradeci a sugestão do governador. 

O Vadinho responde a dois processos por improbidade administrativa. Houve um caso em 2013, em que o MP denunciou uma fraude na montagem da estrutura administrativa e de imprensa dos JASC. Não é um constrangimento a sua indicação?

Não tenho conhecimento. Não vi nenhum constrangimento até agora. Se tivesse alguma coisa que o impedisse, certamente já teria vindo à tona. 

Qual a sua opinião sobre a realização de grandes eventos em Santa Catarina,  como o Iron Man, Volvo Ocean Race, a Maratona de Florianópolis, o Campeonato Internacional de Surfe na Joaquina? 

Aquilo que deu certo não se muda. São eventos de repercussão nacional. É natural que haja alguns descontentamentos, mas aquilo que tem repercussão positiva não deve mudar, a menos que haja argumentos novos fortes. Sabemos que tem alguns casos em que o governo não quitou dívidas por questões processuais e administrativas. Estamos ainda conhecendo a estrutura. Nem montamos a equipe ainda. Falta montar a equipe do esporte e do turismo. Tem um calhamaço de currículos que estou analisando ainda. 

O governo deve investir nesses eventos? Não seria melhor reverter o dinheiro para o esporte de base?

Esporte é turismo também. Nós participamos de uma pasta que fez de Santa Catarina o melhor destino turístico do Brasil. Nas avaliações estão incluídos o Iron Man, o Surfe, o Ciclismo. Isso elevou o nome de Santa Catarina. Tem a questão de avaliação do que é importante para o nosso estado. 13% do PIB é turismo,e evento de esporte é turismo.

O vôlei teve grande importância para o Estado num período recente e isso se perdeu com a perda do apoio da iniciativa privada. Isso pode ser revertido?

Uma equipe de vôlei disputar um jogo e isso ser transmitido em rede nacional é investimento com retorno garantido, mas depende dos casos.  Defendo muita a questão da parceira. Falei ao governador que vamos fazer o máximo para buscar parceiros. Se não temos recursos, vamos tentar trocar por mídia. A perda é em função da crise que veio. A recuperação do Brasil pode fazer com que essas equipes voltem a patrocinar essas grandes equipes. Por parte do poder público, vai ser muito difícil. 

Em todo o Brasil, o esporte sofre de uma forte dependência do futebol. O que pode ser feito para acabar com isso?

Futebol é o maior evento de massas do mundo. No Brasil, é inquestionável. É o que mais mexe com a mídia e as pessoas. Raramente você encontra alguém que ão tenha um time para torcer. É uma cultura de muitos anos e fica difícil voc tirar essa preferência popular. Até porque as outras competições não recebem da mídia o mesmo tratamento.

O poder público pode fazer alguma coisa?

Estamos fazendo a nossa parte. São nove ou dez campeonatos que estamos organizando. Tem que investir, tentar mexer com sentimento dos pais. Antigamente, quando eu era jovem, a gente ia treinar atletismo e as famílias iam acompanhar. Talvez isso tenha se perdido um pouco esse envolvimento. Mas o Estado não pode deixar de participar 

Por quanto tempo pretende ficar à frente da SOL?

Até o que der. Eu vim para ficar até o final do governo do Colombo. Se não der, a gente sai antes, mas minha intenção é essa. Estamos aí para ajudar. Sou o primeiro a chegar na secretaria e o último sair. Hoje a SOL está dando problemas. Temos 661 projetos que já foram executados desde o começo de 2013 que ainda não tiveram as suas contas apreciadas. Estamos lá tentando resolver. 

*A reportagem ligou para o futuro presidente da Fesporte, que afirmou que pretende falar sobre seus planos para a fundação depois que assumir o cargo, em 31 de janeiro. 

Por Leandro Gorges / Diário Catarinense 

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